01 março 2013

A CAMINHO DOS EUA



Primeiro livro a caminho dos EUA encomendado a partir de www.carlosmachadobooks.wix.com/bookontheway.

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26 fevereiro 2013

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- As previsões de Gaspar: Quando tanto se apregoa a meritocracia, é de arrepiar que um Ministro das Finanças e um Primeiro-Ministro mais se mantenham colados aos lugares quanto maiores são os falhanços das suas acções. Antes de se lhes exigir a vergonha que os leve a demissão, exige-se a humildade que os conduza à mudança de actuação.

- Grândola Vila Morena: As vaias e protestos contra os membros do governo são orquestrados? São. E onde está o mal? Apenas se ultrapassarem os limites da legalidade. E mesmo esses, é caso para serem discutidos. Se o golpe do 1º de Dezembro de 1640 não tem triunfado, possivelmente hoje estaríamos a aprender, em castelhano, que um "bando de criminosos e arruaceiros se tinha rebelado contra o rei".

- "...da Câmara" ou "...de Câmara": Marcelo Rebelo de Sousa explicou que o erro detectado na lei dos mandatos autárquicos, "de" ou "da", dá igual. Se MRB tem ou não razão não importa. O que interessa nesta história toda é a praxis corrente: põe-se a circular uma (hipotética) verdade jurídica, quase não sendo preciso transitar em julgado para se ditar a sentença, e depois se os tribunais decidem em contrário (aos interesses que puseram a "verdade a circular") é porque, aqui-d'el rei, a justiça não funciona.

- Eleições em Itália: Em Iália os eleitores protestaram nas urnas: votando em Grillo, comediante de profissão, e relegando Monti para último lugar com menos de 10% dos votos.

- Livro da semana: "O Número dos Vivos", de Hélia Correia.

19 fevereiro 2013

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Tomar no cu: dito pelo secretário de estado da Cultura, Francisco José Viegas. Não há engano, é secretário que se quis dizer, porque o valor da frase está no facto de FJV saber que tal desabafo só teria impacto que teve por, acarinhado por Passos Coelho, ter desempenhado o cargo. FJV excedeu-se, foi mesmo boçal, mas traduziu tudo aquilo que a esmagadora maioria dos portugueses sente; mostrou uma dura realidade: a falta de respeito pelas instituições, pelas leis, pela autoridade e o apelo a uma desobediência civil. Tudo isto aliado ao desemprego, a uma economia moribunda, ao confisco fiscal, chama-se desagregação do Estado. Inadvertidamente, ou talvez não, FJV trouxe à toa a gravidade da situação que vivemos.

- Fecho das agências bancárias: são centenas de agências que fecham em Portugal, lançando no desemprego também centenas, ou talvez milhares de trabalhadores. Provavelmente nunca fizeram verdadeiramente falta, provavelmente os bancos viveram acima das suas possibilidades e agora têm de ser ajudados a emagrecer, a reestruturar-se. E os portugueses, que são tratados por este governo como carne para canhão, percebem que são eles que estão a ajudar os bancos e os banqueiros.

- Pedir factura: a Autoridade Tributária coloca à disposição uma página no seu sítio de internet na qual o cidadão pode introduzir os dados das facturas de restauração, cabeleireiros, oficinas, para colher mais tarde com comodidade o benefício fiscal colossal de 250 €. O fisco, fica a saber, quase de imediato, exactamente onde almocei, onde jantei, onde reparei o automóvel ou se fui a um cabeleireiro alternativo. O Big Brother deixou de ser uma metáfora para ser uma realidade. Se não está em causa o dever fiscal de passar factura e o dever cívico de a pedir, está em causa o policiamento que é feito - e o que se pode vir a fazer - sobre os cidadãos, tudo apelativamente justificado com o cuidado que o fisco tem com o bem-estar dos cidadãos. Será que alguém já possuidor do Cartão de Cidadão experimentou algum beneficio que não fosse o diminuir o enchumaço na carteira?

- Livro da semana: "Os Imortais de Agápia", de C. Virgil Gheorghiu. Já aqui foi recomendado, mas convém voltar a fazê-lo. A descrição das relações laborais e de servidão e muito especialmente as relações do homem com a sua ferramenta de trabalho, ou seja, com o trabalho ele próprio. Para meditar, que retirar a um homem a possibilidade de trabalhar é retirar-lhe parte do seu ser.

18 fevereiro 2013

Submissão, Amy Waldman

Amy Waldman, jornalista do New York Times, estreou-se na ficção, em 2011, com o romance "Submissão". Convém realçar de início que é primeiro romance de uma jornalista experiente, pois se o tema abordado e as questões que se colocam ao longo da narrativa poderiam ter sido escritos por qualquer autor atento, a acuidade e certeza de bisturi com que são tratados denotam grande parte fruto de automatismos da profissão de repórter na busca do pormenor, da contradição que levam à "verdade" do que se relata.

O ponto de partida da narrativa é a submissão a concurso de projectos de arquitectura para erigir, em Nova Yorque, um memorial às vítimas das Torres Gémeas no atentado de 11 de Setembro. Facto banal que nada tem de transcendente até ao momento em que é conhecido, entre os membros do júri, o provável vencedor, Mohamed Khan, norte-americano de nascença, muçulmano por inércia. Daqui se desenrola toda a trama que aborda algumas consequências morais, éticas, políticas e sociais do acto terrorista. E Amy Waldman escolhe uma galeria de estereotipadas figuras de cidadãos americanos (muito centrada em Nova York, que são uns americanos especiais), desde os que integram movimentos de direita anti-imigrantes, islamitas paquistaneses, jornalistas, mulheres libertárias, e mulheres conservadoras, todos partindo das suas convicções originais muito firmes e que as vão colocando em confronto e em causa ao longo da história. As duas figuras que desde de início não têm certezas, e que "caminham" em sentido de contrário de todos os outros, são o arquitecto Mohamed Khan e um membro do júri "representante" das famílias das vítimas, Claire Burwell, viúva de uma das vítimas. Estas duas figuras centrais não acabam por transformarem as suas dúvidas em certezas, mas têm mais certeza quanto a uma pacificação interior das suas vidas. Talvez o que seja necessário à América.

História muito interessante e bem "armadilhada", escrita num estilo de pré-guião cinematográfico (estilo em voga nos EUA de há alguns anos a esta parte), tem o condão de prender o leitor ao longo de quase todo o livro, enfraquecendo nitidamente no seu término, parte em que Amy Waldman perde/abandona o foco de jornalista e dá a sensação de cair na tentação de moralizar sem denotadamente o querer fazer.

10 fevereiro 2013

AVENTURAS NA NET

Os meus amigos tecnológicos afirmam tenho de aparecer em mais canais do espaço virtual; incitam-me com exemplos de grandes sucessos (não referem os fracassos). Por curiosidade, para ver como funcionam as coisas, criei um site. Vejam se vos interessa: http://carlosmachadobooks.wix.com/bookontheway

05 fevereiro 2013

VISAO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Guerra meio-fechada no PS: O estado de "guerra" pela liderança no PS durou duas semanas e não chegou verdadeiramente a declarar-se. Mas se não se abriu, também não se fechou totalmente, porque:
- António José Seguro eventualmente não terá cedido à oposição interna;
- António Costa eventualmente não terá desistido de ser candidato a Secretário-Geral;
- o Partido Socialista não é ainda eventualmente um partido preparado para governar.
E face ao último porquê, a guerra pode estalar a qualquer momento.

- Franquelim I: Viveu no séc. XVIII um Franklin que se celebrizou, entre outras coisas, por, em dias de tempestade, lançar papagaios para atrair raios e coriscos. Não se tratava de actividade lúdica, mas de experiência para inventar o pára-raios. E se tal elemento está inventado e melhorado, não havia necessidade de se escolher outro Franquelim para Secretário de Estado a atrair faíscas sobre o próprio e sobre o Primeiro-Ministro. O gestor não esta indiciado por nenhum crime, pode portanto ser secretario de Estado. Só que, tendo sido, em época conturbada", administrador do BPN, caso que está longe de estar totalmente desvendado, seria de bom-tom, já para não falar de ética, que se evitasse que durante um "período de nojo" houvesse algum recato em chamar a funções públicas elementos envolvidos na gestão da SLN/BPN. E Passos Coelho, Franquelim Alves e Santos Pereira estavam disso cientes. Não queiram convencer os portugueses que o inicial apagamento do currículo da passagem de Franquelim Alves pelo BPN foi inocente.

- Franquelim II: O Ministro Álvaro Santos Pereira afirmou-se como o responsável pela escolha de Franquelim Alves e designou de baixa política todas as atoardas, no dizer do ministro, que se levantaram sobre essa a nomeação do Secretário de Estado. O senhor Ministro não fará baixa política, faz fraca, medíocre política, porque tanto quanto se saiba o que foi dito não foge à verdade, e o senhor ministro, talvez a mando do senhor Primeiro-Ministro, não fez a escolha política acertada.

- Frase da semana: "O que referem sobre mim e sobre os meus companheiros, não está correcto. A não ser alguma coisa, que é o que referem alguns meios de comunicação social". Mariano Rajoy, Primeiro-Ministro espanhol, sobre o caso de recebimentos indevidos. Não é a frase da semana, é a frase do ano. A frase, que abala mercados, bolsas, dívidas soberanas de Espanha e de outros países, é lapidar, pois o PM espanhol consegue candidamente afirmar o que é e o seu contrário. Deveria constituir cábula para todos os políticos metidos em trapalhadas, embrulhadas e opacidades.

- Livro da semana: "Diálogos", de Platão. E um,entre muitos, a merecer leitura e reflexão: "A República".

01 fevereiro 2013

DE QUE LADO ESTÁ O VENTO?

A falta de comparência a jogo de António Costa não se transforma numa vitória de António José Seguro, mas numa vitória de Pedro Passos Coelho. O Presidente da Câmara de Lisboa neste seu faz-de-conta-que-vai-mas-não-vai, deu a entender que não era a altura certa de afrontar Seguro, porque não existe a certeza de uma retumbante reviravolta em eleições legislativas, antecipadas ou não.

Passos Coelho é impreparado, é; Vítor Gaspar é ideologicamente alienado, é; Paulo Portas, é cristamente conciliador entre antigas posições do CDS-PP e novas necessidade do seu partido, é; Cavaco Silva é constitucionalmente ausente, é. Tudo isto, é, mas o PS não descola e quanto mais correr o tempo mais difícil se torna a descolagem. E precisamente o que faz com que não exista vaga de fundo no país em volta do PS é a oposição cinzentona do actual Secretário-Geral do Partido Socialista. É caricato, mas o que mantém António José Seguro na liderança do PS não é o ser um lídere da oposição forte, mas o facto de com a sua actuação queimar todos as vontades de lhe disputarem o lugar.

Contudo, António Costa pode ter jogado um trunfo, não ainda para ganhar, mas para destrunfar. É rebuscado, contudo pode ser assim: se se apresentasse como candidato-"surpresa" na reunião da passada terça-feira, seria apenas uma manifestação de desejo de poder, o que poderia cair mal nas hostes partidárias; depois de afirmar que tomará outra atitude se Seguro não unir o partido, o que ninguém sabe exactamente o que significa (colocação de pedras da oposição interna em lugares-chave?), poderá lançar o ónus sobre o actual Secretário-Geral.

Deste caso fica para estudo e para os manuais da Política e da Sociologia que numa ocasião em que a esmagadora maioria de um povo está contra um governo, em que pela primeira vez nos últimos quarenta anos "somos nós contra eles", não sobressaia uma força agregadora de toda esta vontade de mudança.

29 janeiro 2013

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Regresso ao mercado...de capitais : incontornável este tema. Se não é uma grande vitória financeira e muito menos económica para o país é uma enorme vitória política para Gaspar e Passos (até Paulo Portas, embora não totalmente, fica de fora). Podem todos os políticos, comentadores, opinadores, uns melhor, outros pior, desvalorizar, contextualizar a operação que este "golo" do governo já ninguém o anula. E teve, ainda, o efeito de fazer passar despercebido mais um incumprimento das determinações do governo - o negociar mais tempo para pagamento do empréstimo -, aquilo que disse que nunca faria, pois significaria pagar mais juros.

- Privatização da RTP: Miguel Relvas não tem poder nem para privatizar um quiosque, dito pelo jornalista Joaquim Vieira, poderia ser a frase da semana, mais porque soa bem, do que pelo verdadeiro conteúdo. Miguel Relvas mantém intacto o seu poder de "manobrismo", o que ele não tem é o poder de manobrar a opinião pública como pretendia fazer porque carece de credibilidade. Miguel Relvas não será remodelado, ele é uma aposta de Passos Coelho, tal e qual a austeridade custe o que custar, ou o regresso aos mercados.

- Candidatos autárquicos: O CDS-PP sempre muito apressado (verbalmente) em moralizar, tem posto de parte alguns pruridos no que respeita à escolha de candidatos às autarquias: em Lisboa, apoia o candidato Seara, impossibilitado de concorrer em Sintra. Moralizar o sistema político,qual é a pressa?

- Protesto sobre a EDP: Há mais de uma semana que é impraticável entrar em contacto com a EDP: no balcão da Loja do cidadão a espera é interminável; pelo telefone, é infindável repetição da gravação; dizem que se quisermos telefonam de volta, nada; porque é mais cómodo, anunciam eles, pedido de informação pela internet, respondem que o pedido foi registado e têm até quinze dias úteis para responder (mas a intimação de um pagamento indevido é menos de uma semana contando com os dias inúteis). A prova que com as rendas, protecção governativa dos aumentos dos tarifários, a gestão privada é sempre melhor do que a pública.

- Frase da semana: Qual é a pressa?, de António José Seguro perante as instâncias de opositores internos do seu partido. A pressa é nenhuma, e tanto não há pressa que o Secretario-Geral do PS convocou uma reunião de urgência da Comissão Política Nacional para hoje. António José Seguro demonstrou falta de habilidade a lidar, não com a pressa, mas com a pressão. Se há semanas que correm mal, esta foi uma delas para o lídere do PS.

21 janeiro 2013

POR QUE NÃO DEVE O PS PEDIR ELEIÇÕES

Existem mais do que razões para "despedir" o actual governo e, caso o "despedimento com justa causa" venha a ocorrer, a solução deverá passar por eleições e nunca por putativos governos com designações tipo de salvação nacional, de iniciativa presidencial, cujo o efeito é a prossecução de medidas não sufragadas pelo povo. E se por qualquer motivo o cenário de eleições se vier a colocar não há que ter medo da democracia por muito que possam agitar os espantalhos da crise, da credibilidade junto dos credores, da confiança dos mercados.

Se o que acima se diz é verdade, onde é que não colam as declarações dos mais altos responsáveis do Partido Socialista quanto há disponibilidade do partido para disputa eleitoral e capacidade para governar com o título desta crónica?

Atentemos apenas em alguns factos com menos de um mês de ocorrência: O envio de alguns pontos do OE 2013 para o Tribunal Constitucional; a desastrada mensagem de Passos Coelho (uma entre todas) de fim de ano; o "estudo" do FMI; a conferência da sociedade civil para debater a reforma do Estado. Estes acontecimentos que pela lógica , em cima da brutais cargas de impostos de 2012 e para 2013, teriam o efeito de estilhaçar o que restava do governo, parecem não passar de factos anedóticos e fica-se com a sensação de que o cenário de queda do governo já esteve mais perto do que aquilo que está. Até já Miguel Relvas volta a falar.

António José Seguro não está consciente desta recuperação de fôlego do governo, ou considera-a como melhoras da morte, e por isso declara-se pronto para governar. Mas o Secretário-Geral do PS(que já desbaratara um ano para criar empatia com os portugueses) não soube aproveitar o que Passos Coelho lhe entregou de bandeja no último mês: o poder afirmar-se como alternativa credível, sem referir moções de censura e eleições, o difundir ideias mobilizadoras e apresentar em definitivo uma ideia de Portugal de Futuro (não confundir com propostas avulsas que efectivamente tem apresentado, ao contrário do que querem fazer crer).

Em política (e não só), o que parece, é, e parece que António José Seguro joga na forte possibilidade de queda do governo num de dois momentos: chumbo por inconstitucionalidade das normas do OE 2013 ou derrota do PSD nas autárquicas. Só que o governo não se demite em qualquer dos casos. No primeiro, afirmar-se-á como não culpado e o ónus de mais confisco fiscal será passado ao TC; no segundo, relegará a derrota para segundo plano e não tirará daí nenhumas consequências porque em Setembro os mercados e os juros baixos avalizarão a política do governo (daí a insistência do discurso nos mercados).

Mas as razões pelas quais António José seguro não deve pedir eleições não se prende com taticismos políticos, mas com o simples facto, que a ser apresentado de início reduziria drasticamente a crónica: por que ainda não mostrou um plano para Portugal. É sintomático o que o Secretário-Geral do PS ofereceu ontem aos portugueses, em vez de um rumo, que os portugueses ficarão surpreendidos(agradavelmente, deduz-se) com o elenco governativo.

04 janeiro 2013

Cavaco Silva vs Vitor Gaspar

Cavaco Silva sempre foi previsível - não é defeito e daí também não vem mal nenhum ao Mundo - nas suas decisões e actuações (exceptuando o caso dos Açores). E como se previa o Orçamento de 2013 foi promulgado e enviado ao Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva, com fortes dúvidas em algumas normas e que, porventura, nem sequer são dele porque baseadas em pareceres de reputados peritos na matéria.

E como Cavaco é previsível, sabe-se que não retirará quaisquer consequências de alguma inconstitucionalidade, como não retirou do rol de desgraças imputáveis ao governo e que elencou na mensagem de Ano Novo. Lavará daí as mãos e deixará com o Tribunal o ónus da causa de eventual chumbo com o consequente agravamento dos sacrifícios dos portugueses. Cavaco Silva espera nada ter de fazer acreditando que o Tribunal Constitucional arranjará maneira de minorar a eventual ilegalidade (a exemplo de 2012), ou caso assim não seja, dirá (se disser) que o recurso a eleições seria mergulhar o país em instabilidade - como se ela não existisse já -, com consequente perda de credibilidade junto dos credores e dos mercados, e quererá que se conclua que sempre é "melhor" ter um governo relapso, péssimo, insensível, do que fazer prevalecer o primado da política sobre a economia e fazer funcionar a democracia.

Mas se Cavaco Silva é previsível, o mesmo não se passa com a sua capacidade de previsão sobre as atitudes dos outros, que é bastante fraca. E ontem foi de certeza apanhado de surpresa com o real número 1 do governo, o ministro Vitor Gaspar, a responder à mensagem de Ano Novo, a dizer ao Presidente que ele estava errado.

Todos sabem que é ministro das Finanças quem manda no governo, mas é no mínimo deselegante que Passos Coelho tenha admitido que aquele a quem chamou número 2 tenha feito aquela cena; se Passos Coelho embarcou nesta táctica para se resguardar nas afrontas ao Presidente da República saiu-se mal porque perdeu toda a autoridade perante o país, perante as instituições e perante o parceiro de coligação (oposição parlamentar deveria exigir que no próximo debate quinzenal na Assembleia da República, fosse Vitor Gaspar o principal interveniente da bancada do governo).

Mas aqui reside, possivelmente, a faísca capaz de tornar 2013 no ano em que o Presidente despede Passos Coelho, et pour cause Vitor Gaspar. Se há coisa que Cavaco Silva não suporta é que ponham em causa a sua sabedoria e certezas económico-financeiras. Se Vitor Gaspar voltar a falhar as previsões e as receitas para a economia, Cavaco Silva poderá estar disposto a acertar contas com ele.

24 dezembro 2012

O ECONOMISTA DA ONU, "PODE ALGUÉM SER QUEM NÃO É?"

Como muitas vezes acontece, a fila para adquirir bilhetes para assistir ao concerto de um violista famoso,no Licoln Centre, em Nova York, era longa e demorada. Um homem mal-vestido, ar pouco lavado, assentou a sua banca junto da fila; colocou a boina para recolha de fundos; pôs-se a tocar violino. A fila seguiu lenta com pouca atenção dos presentes à música do provável músico de metro e poucos lhe davam algumas moedas. O violinista de circunstância era, nem mais nem menos, o prodigioso músico para cujo espectáculo as pessoas estavam dispostas a gastar horas para aquisição de um ingresso.

É por demais conhecida esta faceta da predisposição do ser humano para escutar mais as roupagens do que a substância das coisas.

E tudo isto a propósito da recente burla de um presumível economista da ONU entrevistado por rádios e televisões de referência, sobre a crise portuguesa. Não parecem ter sido totalmente descabidas as declarações do senhor "economista" e pecam apenas por não serem verdadeiras as credenciais com que se apresentava e não serem fundadas em qualquer análise da ONU.

A história em si não tem nada de extraordinário, é tão somente uma "peta" engraçada que se socorre de todas as técnicas na arte do engano. Apenas três conclusões:

1 - O que o "economista" disse poderia ter sido dito por milhares de outros cidadãos anónimos que não são convidados e escutados pelos media por que não vestem outras vestes que não a de anónimos (o que não significa que não sejam conhecedores);

2 - Os comentadores, colunistas, opinadores, sempre os mesmos sobre todo e qualquer assunto, são muitas das vezes menos verdadeiros nas suas afirmações, que se supõem fundadas e fundamentadas, do que as do dito "economista" ou das que qualquer dos anónimos cidadãos produziria.

3 - A performance do "economista" é tanto mais possível, quanto mais os cidadãos cederem o "espaço público" ao "espaço da comunicação social", que vai atrás de fogos fátuos e gira em redor de vacas sagradas. A sociedade civil, mais conhecida como povo, tem um "espaço", que é seu por direito próprio, e que tem de utilizar. Quando todos formos escutados, o burlão desaparece pois não precisa de se mascarar para ser ouvido.

(Atenção, brevemente poderá aparecer nas nossas televisões, em mensagem de Ano Novo, alguém "vestido" a fazer de Presidente da República).

19 dezembro 2012

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Ministro Gaspar e as previsões: Vitor Gaspar está para as finanças como Isabel Jonet está para a caridade/solidariedade: quanto mais falam, mais se afundam. Ontem, o ministro, irritado por a oposição o confrontar continuadamente com o desacerto nos números (sempre para pior), dizia que iria ponderar abrir lugares para "fazedores" de previsões correctas, mas que ele não se candidatava ao lugar. Deveria o ministro, tão apologista do privado contra o público, saber o que acontece em empresas privadas a gestores e outros trabalhadores quando falham as previsões, que muitas vezes nem são dos próprios; ou se alguém chegar ao banco e disser que não paga a prestação da casa porque estamos em tempo de recessão e falhou nas previsões de quanto o governo lhe iria confiscar em impostos.

- Cavaco Silva e as suas reformas: O Presidente da República foi mais uma vez instado a pronunciar-se sobre as suas reformas devido aos cortes programados no OE de 2013. Cavaco Silva diz estar amuado (não por estas palavras) com os media porque ele tentou corrigir o que estes tinham dito sobre a matéria e não conseguiu. É verdade o que diz: Cavaco Silva tentou corrigir os media, o que não tentou foi corrigir o que os portugueses ouviram da boca do próprio em peça televisiva.

- Frase da semana: "Somos orgulhosamente capitalistas", Eric Schmidt, director executivo da Google,em entrevista à Bloomberg, para justificar a fuga aos impostos (pelos visto,legal) através do paraíso fiscal das Bermudas. Schmit esqueceu-se de dizer que somos orgulhosamente capitalistas, quando somos ricos. O capitalismo mais liberal não permite aos menores rendimentos fugas legais e, em caso de crise, são estes que são sempre chamados a pagar.

- Livro da semana: "O Museu da Inocência", de Orhan Pamuk.

12 dezembro 2012

O MINISTRO GASPAR E AS PREVISÕES MAIAS

Hoje, saiu em Diário da República que o Ministro Vitor Gaspar contratou para o seu gabinete um grupo de estudiosos maias peritos em previsões. As previsões maias duram séculos e só falham se houver uma grande surpresa. Através de uma folha de excell, o ministro, mostrou ainda que o sistema de numeração maia, de base vinte - em vez do corrente de base dez -, se adapta muito melhor aos desvios colossais dos déficites do governo. Além disso, os maias desconhecem a roda, pelo que serão incapazes de prever que o ministro "vá de patins".

11 dezembro 2012

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Entrevista António José Seguro: Talvez a melhor entrevista que o Secretário-Geral do PS deu desde que foi eleito para o cargo. Mesmo assim não parece que tenha agarrado o auditório e muito menos que tenha agradado aos comentadores. Em política, e especialmente em política através da televisão, o que parece, é. Seguro não consegue passar a mensagem e tem deixado que moldem a sua imagem de um lídere sem ideias, amarrado a um contrato com a troika e convivendo divisões internas no partido.

- Noventa lugares: Miguel Relvas pretende criar pelo menos noventa lugares executivos para entidades inter-municipais a auferirem cerca de 4000€ por mês. Agregadas freguesias, extinguidos os Governos Civis - que eram só 18 - por não servirem para alguma coisa, e como medida de poupança, cria-se então uma nova estrutura que por muito pomposas descrições de funções que tenha não visa mais do que manter à mesa do orçamento do Estado, dinossauros autárquicos, e outros, que por limite de mandatos estão impedidos de se candidatar. E, pelos vistos, não é preciso ir pedir autorização à troika, só para diminuir impostos é que é.
Miguel Relvas não tem vergonha e se os outros membros do governo alinharem neste propósito são uns desavergonhados.

- Frase da semana: "Acabou a crise do euro", François Hollande. Não existe nenhum dado concreto de que a crise "tenha ficado para trás"; o novo financiamento da Grécia e o resgate dos bancos espanhóis não debelam a crise. Hollande tenta afastar o espectro de um ataque dos mercados à França e para isso, voluntária ou involuntariamente, está a dar trunfos a Angela Merkl para as eleições na Alemanha em 2013.

- Livro da semana: A Pequena Casa em Allington, de Anthony Trollope

04 dezembro 2012

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- A entrevista do Primeiro-Ministro à TVI: a democracia dá-nos a ilusão de que todos podemos chegar a Primeiro-Ministro. É ilusório, mas que é a democracia o regime que menos obstáculos cria a que cada um possa chegar ao lugar, isso é certo. A democracia é também o regime que menos mascara a incompetência e ignorância dos governantes, pois obriga à exposição pública dos mesmos. Daí, ao ouvi-los falar, resulta, que o comum cidadão considere que, em democracia,qualquer um, até ignorante e/ou incompetente, possa ser Primeiro-Ministro. E há casos que o comprovam.

- Peditório do Banco Alimentar: Apesar da entrevista infeliz de Isabel Jonet, e dos absurdos pedidos de boicote ao Banco Alimentar por via de, os portugueses não deixaram de contribuir num esforço de solidariedade real. E os portugueses fizeram-no, não por concordarem com as declarações da Presidente do Banco Alimentar, mas porque estão radicalmente (consciente ou sub-conscientemente) contra elas: os portugueses sabem que há outros portugueses que estão na miséria, que a grande maioria do povo não viveu acima das suas possibilidades, que o esbulho nos rendimentos das famílias levado a cabo pelo o actual governo é que não lhes permite comer carne.

- RTP privatizada a 49%: Esta é a última moda para que o Estado se "desfaça" da RTP. Advisers, spin doctors e opinadores (entre os quais o próprio Presidente da RTP que já disse não ser possível serviço público sem dois canais), não têm ideias consensuais sobre a matéria e têm lançado petardos experimentalistas a ver o que colhe menos contestação. Estratégia concertada com o governo? Parece que sim, pois o mesmo se tem visto noutras áreas. Afigura-se que será deste modo que será discutido o Estado Social entre Fevereiro e Junho.

- Frase da semana: "Portugal não é a Grécia", vários, nacionais e internacionais. Esta não será porventura a frase da semana, mas a frase do ano. Vitor Gaspar sabe ao que vem, não aposta em reduções de juros, perdões de dívida, mas na validação (está tudo a correr congforme o previsto)do seu falhanço nas sucessivas execuções orçamentais (ai! uma surpresa).

- Livro da semana: A Sala das Perguntas, Fernando Campos

27 novembro 2012

VISÃO ACTUALIDADE DA SEMANA

- O Ministro da Economia: o dr. Álvaro Santos Pereira adoptou um discurso contrário ao da austeridade a todo custo. Seria reconfortante acreditar que o ministro caiu em si e percebeu que a luz ao fundo do túnel só aparece com a reactivação da economia real e com medidas governamentais que a incentivem, já que as empresas estão moribundas ou apáticas. Mas, o que o ministro percebeu foi que a sua penosa estada no ministério não tem fim à vista porque a remodelação tarda e a queda do governo não é para já; percebeu que num discurso contrário ao oficial ganha em dois carrinhos, ou é afastado e se a economia em 2013 falhar (como se prevê) diz que ele é que tinha razão, se se mantém dirá que que as suas teses receberam um voto de confiança e se a economia falhar a culpa não será (apenas) sua, porque, como ele e nós sabemos, o que vai vingar como política é a austeridade cega (é o OE 2013 que o diz).

- A chantagem dos e com os mercados: Há semanas atrás a troika ameaçava não libertar a nova tranche para a Grécia se o Orçamento de Estado não fosse aprovado; o Primeiro-Ministro grego ameaçava que se tal não acontecesse não havia mais dinheiro nos cofres.
O orçamento que penaliza gravemente os gregos foi aprovado; a Europa continua em reuniões para decidir sobre a tranche; o dinheiro ainda não acabou nos cofres gregos.Os mercados reagem inalterados às notícias gregas, ora vão para cima ora vão para baixo.
Isto tem um nome: CHANTAGEM.

- Eleições na Catalunha: os neo-separatistas do CiU (neo porque são separatistas à boleia da crise), de centro-direita, não obtiveram maioria absoluta e perderam lugares no Parlamento, numas eleições oportunistas e populistas de Artur Mas. A Catalunha, o País Basco e o resto da Espanha estão condenados a entender-se: a industrialização da Espanha foi toda concentrada, ao longo de décadas, naquelas duas províncias porque as mais próximas de França e dos caminhos terrestres para a Europa; mas o principal importador das duas províncias é o resto da Espanha. Se as duas províncias se tornam independentes, a Espanha fica sem unidades industriais e a Catalunha e o País Basco de menos boas relações com o principal importador. Não deixa de prevalecer a vontade dos povos, mas estes têm de decidir informados e em consciência, nunca em emotividade conforme o apelo de Mas.

- Frase da semana: Estado social...dividir o mal pelas aldeias. Nos pormenores o PM revela-se. A concepção de Estado Social de Passos Coelho não passa de um estado assitencialista, mais propriamente de um estado IPSS, para tratar dos pobrezinhos. O Estado Social destina-se a distribuir o BEM pelas aldeias, em que se procede a uma redistribuição da riqueza através da cuidados primários (e secundários se o dinheiro chegar) que são pagos por todos, onde quem mais tem mais paga. Passos Coelho é denotadamente contra o Estado Social, faria bem em defender coerente e consistentemente a sua dama e deixar de se pronunciar angélico e compungido sobre aquilo que recusa.

- Livro da semana: A Piada Infinita, David Foster Wallace

21 novembro 2012

O burro e a vaca do presépio

Ainda não li o último livro de Bento XVI, mas os comentários às verdades aí reveladas já correm mundo e são feitos pelos media e por muita gente que também não o leu. E tenhamos a certeza que, na espuma dos dias, não vai restar mais do que isto. Resumindo o facto, o Papa, com explicações, quase como provas, vem reafirmar a virgindade de Maria, mãe de Jesus, a ausência da vaca e do burro no presépio e que aquilo que conduziu os Reis Magos, e que já foi cometa e meteorito, é uma supernova. A Igreja Católica teme que os crentes tremam na sua fé, ponham em causa a veracidade e autenticidade da sua igreja e que, face às descobertas científicas, arqueológicas, documentais,a deserção para outras crenças e crendices mais apelativas, ou para ou agnosticismno e ateísmo, seja imparável. Dá a sensação que tem uma má-consciência sobre os fundamentos da razão da sua existência e que algumas inverdades dogmáticas sejam confundidas com algumas práticas menos éticas, morais e religiosas em que a Igreja tem incorrido. A Igreja teria muito a ganhar se seguisse os ensinamentos bíblicos: a César, o que é de César. Portanto, ao reino da fé, o que é da fé; ao domínio da ciência, o que é do domínio da ciência. Não é de modo incompatível a uma pessoa, com conhecimentos da ciência, explicar (até agora) a origem do Universo com a Teoria do Big Bang e que na hora da reza dê graças a Deus pela criação do Mundo.

20 novembro 2012

VISAO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Greve Geral 14N: Por muito que custe, a greve tem hoje em dia um efeito prático muito restrito. As greves têm efeitos quando prejudicam directamente patrões do sector privado, ou quando prolongadas afectam profundamente os cidadãos. Sendo os grevistas maioritariamente provenientes do sector público, onde não há nenhum dirigente que se sinta na obrigação de resolver os conflitos laborais, e com paralisações de um dia, como o caso do dia 14, as consequências de uma greve esbatem-se e tendem a perder o significado. Fica o protesto e a contestação ao governo - justificada e legítima - e sobretudo a união dos movimentos sindicais da Europa, nomeadamente os dos países do sul.

- Carga policial: Uma actuação policial firme impunha-se depois de desordeiros provocarem distúrbios em frente da Assembleia da República no fim da manifestação da CGTP. No entanto, o tempo que a Polícia de Intervenção aguentou uma chuva de pedras não foi um sinal de sensatez, mas sim do seu contrário, permitindo, impassíveis, que o património público fosse destruído. Se pretendiam que os desordeiros caíssem numa cilada, falharam. Pelos vistos, só "os" apanharam longe do local e sem certezas de que seriam os tais. As justificações dadas para a dispersão dos manifestantes (não estou a falar em desproporção, estou a referir-me a estratégia utilizada) e as detenções efectuadas, fazem lembrar a revolução dos pregos de Ângelo Correia (quem não tiver possibilidades de saber o que foi, diga, que eu depois conto).

- 6ª avaliação da troika: O "exame" periódico da troika foi genericamente o que se esperava: estão os indicadores fora do estabelecido, mas está tudo a correr como previsto e, conforme a perspicácia da srª Merkl na semana anterior, a fatia de empréstimo vai ser libertada. De relevar que não deixa de ser espectacular o modo "desemocionado", como o ministro Vitor Gaspar anuncia o sucesso/desastre do plano de ajustamento misturado o aumento de desemprego, e no mesmo tom de voz, na mesma cadência pausada, passa do estamos no bom caminho para o prolongamento demais anos da austeridade. Talvez não seja o ministro que esteja desfasado da realidade, talvez seja mesmo ele que não é real.

- Frase da semana: "A greve, embora seja", "apesar de ser", um direito constitucional...". Mais uma vez o discurso condescendente, disfarçadamente inócuo, com um direito dos trabalhadores, mostra a ideologia escondida, os emboras e apesares mais não significam "este ano é assim, mas quando refundarmos o estado a greve passa a ser proibida". A greve não é um direito qualquer, é um marco, é um símbolo, de que é legítimo e possível contrapor a um poder outro poder. A greve (mesmo com a ineficácia referida no início da crónica) deve ser interiorizada numa sociedade como um direito inalianável que não tem como seu contrário o direito a não fazer greve como nos querem fazer crer.

- Livro da semana: Liberdade, Jonhatan Frazer.

13 novembro 2012

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- O filme de Marcelo para mostrar aos alemães: Uma ideia que não é descabida, mas peca em duas questões básicas: Marcelo Rebelo de Sousa pensou que bastaria a sua chancela para que as portas do Brandenburgo se abrissem para que o povo alemão tivesse oportunidade de tomar conhecimento dos portugueses; depois, a execução parece (se calhar, é mesmo) de um amadorismo atroz, de um voluntarismo pífio, de um desenrasca mal-amanhado, de comparações com a Alemanha que por vezes raiam o mau-gosto, passando, assim, a mensagem contrária do que se pretende.

- A Convenção do BE: O BE tem alguma atractividade na sociedade portuguesa e é um facto que já não pode ser considerado um epifenómeno. No entanto, o BE que contrariou o proverbial divisionismo da esquerda, volta aos tiques antigos das vanguardas revolucionárias verdadeiros defensores dos ideais socialistas. Se bem que o momento fosse de exaltação (e promoção), ao BE não ficaria mal um assomo de realismo e reconhecimento do seu peso no plano partidário e social.

- A visita da Chanceler alemã a Portugal: As últimas declarações de Angela Merkl sobre os anos de austeridade, a visita relâmpago de "fiscalização" aos países em dificuldades, têm um efeito prático mais visível dentro da Alemanha do que no plano externo. Merkl continua a governar a Europa para os alemães e para ganhar eleições na Alemanha: lidera as intenções de voto, em coligação, e tem elevados índices de popularidade pessoal. Angela Merkl não é responsável pela crise financeira portuguesa, pode não ser, mas que tem dado grande ajuda para o atrasar de soluções, isso tem.

- Frase da semana: O facto relevante desta semana que findou - que antecedeu a visita da chanceler alemã, uma greve geral europeia, o início do sexto exame da troika, a Convenção do BE com ataque cerrado e piscar de olho ao PS, o momento (escassos segundos) em que o Presidente da República rompe o silêncio para falar do OE 2013, inauguração de hotel de luxo -, é a ausência de um discurso forte e polarizador do lídere da oposição. O Dr. António José Seguro tem apresentado alternativas,tem repetido um discurso responsável sobre a estratégia do PS para o país, mas mais para não ser esquecido do que para ser lembrado.

- Livro da semana: "Os Segredos do Mar Vermelho", de Henry de Monfreid. Um extraordinário livro de aventuras verídicas vividas pelo autor no Leste de África.

09 novembro 2012

Não boicotem o Banco Alimentar

Quando o ouvi a discursiva Isabel Jonet na mesa-redonda televisiva, proferi um desabafo, que disparate!, e fui deitar-me descansado. Eis senão quando, na manhã seguinte e dias sucedâneos, as declarações da Presidente do Banco Alimentar (é por isso que ela é convidada para os debates) passam a facto nacional da maior relevância. Isabel Jonet enganou-se redondamente, do ponto de vista económico (excelente o post de Pedro Lains no seu blogue), social, moral e até político, naquilo que disse. Mas reproduziu não só o que ela pensa, mas o que muitos portugueses, devido a falta ou deturpação de informação, pensam. O que é criticável, é que Isabel Jonet não sendo uma cidadã qualquer, não deve enganar-se, e levar ao engano muitos dos que a escutam; deve prepara-se melhor, obter boa informação e cuidar o discurso para não raiar a insensibilidade social (que é algo de que Isabel Jonet não pode ser acusada).

E mesmo que a dita alocução se identifique, ou a colem, com uma ideologia de direita retrógrada (não sei quais são os ideais políticos de Isabel Jonet), nem de longe, nem de perto, tem as consequências daquilo que é diariamente proferido por muitos decisores deste país e por opinadores que não nos largam a porta.

Considero que a discordância e a crítica são legítimas e justificadas, mas acho completamente descabidos os apelos de boicote ao Banco Alimentar e os abaixo-assinados a pedir a demissão de Isabel Jonet de Presidente.