10 outubro 2011

Um dia...

Um dia, vou ter tempo para ler todos os livros que quero ler?
Um dia, hei-de conseguir escrever tudo o que quero escrever?
Um dia, serei capaz de amar todas as pessoas que quero amar?
Um dia, colherei todos os reconhecimentos pelos quais anseio?
Um dia, conseguirei ver Deus sem uma ponta de dúvida?

Ainda bem que esse dia não existe, por que senão, respiraria, mas estaria morto.

07 outubro 2011

Liberdade na Madeira

Ao assistir às reportagens televisivas em directo sobre as finanças da Madeira e sobre as acções de campanha do Dr. Alberto João Jardim, tenho a nítida sensação de que o dinossauro já não mete o medo de antigamente e já se pode falar mais à vontade na presença do dito. Nunca tinha visto tantos jornalistas do continente a fazerem in loco perguntas incómodas e comentários sarcásticos ao Presidente da Região Autónoma.

04 outubro 2011

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- 100 dias de Governo: cem dias de Governo não dão indicação nenhuma do que um Executivo é capaz. O balanço de 100 dias, é assim como uma espécie de apresentação do rapaz aos pais da noiva. No entanto, os progenitores da nubente, mais o pai do que a mãe, são capazes de descortinar de imediato onde é que a coisa falha. Para já, falha na total falta de preparação para assumirem as rédeas da governação. É impensável que um partido que é inevitavelmente alternativa de poder não tenha feito o trabalho de casa.

- Isaltino de Morais: mais um facto que me dá arrepios e me faz ter muito medo da justiça. Dizia-me em tempos alguém muito próximo da Justiça que o mal é ela olhar para nós e aí não basta sermos inocentes, é também preciso que as coisas corram bem. Será que a um cidadão comum o caso se tinha decidido com tanta celeridade?

- Relatório sobre as Contas da Madeira: é preciso que antes das eleições de 9 de Outubro se diga, alto e bom som, à população da Madeira que independentemente de se encontrarem, ou não, ilícitos criminais na actuação do Dr. Alberto João Jardim, o regabofe acabou. O senhor Ministro das Finanças não mostrou ter tom de voz suficientemente elevado para cumprir tal missão.

- Livro da Semana: A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, em que uns garotos conseguiram ser mais espertos que todos os piratas, recomenda-se ao Dr. Alberto João Jardim.

30 setembro 2011

"As Ondas", Virginia Wolf

É-me impossível escrever sobre As Ondas, romance de Virginia Wolf, sem cair no lugar comum de citar Jorge Luís Borges: não há argumento, não há conversa, não há acção.
Virgínia Wolf utiliza as falas de cinco personagens que se referem a um sexto que nunca aparece para ela (se) expor os sentimentos, ilusões, explanar os pensamentos. Mas se as falas dos personagens são escritas em discurso directo, elas não se dirigem a ninguém, nem sequer ao leitor. Virginia Wolf fala consigo própria ao sabor e ritmo do seu pensamento. Pensamentos que, em fluxo e refluxo, se formam e se perdem como as ondas.

Não tendo argumento, como diz Borges, As Ondas, é um livro que não apetece acabar (no sentido de lhe conhecer o fim) e pode ser sempre retomado em qualquer página ou saltado para várias páginas adiante. Pode ser lido como se lê um salmo da Bíblia: lê-se uma passagem e fica-se a desfrutar.

Para ser um grande, grande livro falta-lhe arcaboiço (o que quer que isto signifique). Também escrevi ao sabor do que senti), mas, sem dúvida, a ler.

28 setembro 2011




Um Amor Sem Tempo está na lista dos concorrentes ao Prémio Literário Casino da Póvoa 2012.
A partir de agora é que é a sério. Será que entra na short-list?

27 setembro 2011

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- D. José Policarpo é um homem de pensamento inteligente e sereno. Tão inteligente e tão sereno que muitas vezes torna convincentes as suas defesas (legítimas) das posições mais conservadoras da Igreja Católica. No entanto, na última entrevista que deu ao JN teve um grave deslize ao afirmar que "ninguém sai de mãos limpas da política" para justificar o não envolvimento dos bispos na política directa.
A frase, por não ter sido (propositadamente?) explicada é passível das mais variadas interpretações que lançam labéus sobre os políticos: corruptos?, falta de ética?, mentirosos?, incompetentes? Estes "pecados" não estão todos no mesmo patamar e há muitos políticos que não são nada disto.
Quem tem telhados de vidro...arrisca-se a que se lhe responda: "não queremos ser padres, porque sabemos aos pecados a que isso conduz".

- A entrevista - muito fraca - do Primeiro-Ministro à RTP teve um momento alto: o não caucionamento dos desmandos do Dr. João Jardim na governação da Madeira. Dirão que o PM não tinha outra hipótese. Não teria, mas o Primeiro-Ministro evitou as piruetas e malabarismos a que estamos habituados e retirou a confiança (não apenas a política) ao governante da Madeira. Eu não preciso de mais, parabéns Dr. Passos Coelho.

- Segundo o Correio da Manhã, só os quadros de Miró detidos pelo BPN valem o dobro do que o Eng.º do PSD, perdão, o BIC pagou pelo banco. Sabemos como são estipulados os valores de obras-de-arte, e estas só valem efectivamente se houver compradores interessados. Mas o facto relevante é a forma como foi gerida a nacionalização e privatização do banco. Grave: ainda ninguém foi condenado (lembram-se do Madoff?) e todo este tempo serviu apenas para um Tribunal se declara incompetente para julgar uma queixa.

- O contorcionista e malabarista de serviço, Dr. Miguel Relvas, declarou que a auditoria à contas da Madeira era técnica e não política. Tentou enganar os portugueses o Dr. Miguel Relvas. A auditoria é técnica para avalizar ou condenar as políticas de um político.
O Dr. Passos Coelho perderá pontos na sua credibilidade se a auditoria não for conhecida antes das eleições na Região Autónoma.

- Livro da Semana: A Rapariga Que Sonhava Com Uma Lata de Gasolina E Um Fósforo, Stieg, Larsson, recomenda-se à Sr.ª Merkl que insiste em comportar-se como pirómana.

20 setembro 2011

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- As contas da Madeira: Sobre o Dr. Alberto João Jardim nada vale a pena dizer. O próprio, com os seus actos e actuações, já disse muito de si. E sobre as contas do arquipélago próximo de África já se fizeram todas as acusações (menos a da PGR) e defesas.
A omissão da despesa, "porque sim", diz muito sobre a perpetuação do e no poder: encandeia e dá a sensação vertiginosa de que tudo é possível e que mais anos de poder virão para tornar o impossível possível.

- O povo da Madeira: Tão português como os minhotos, os algarvios, os açoreanos, os beirões, etc, etc. Tenho a certeza de que os portugueses desejam que os madeirenses "calquem" o Dr. Jardim onde mais lhe dói: uma derrota eleitoral. E tenho a certeza de que os madeirenses sabem disso. Não parece fácil, mas é possível.

- Cortes na despesa do Estado: Quando na oposição, o PSD e CDS dizia ter receita "milagrosa" para a redução do déficite do Estado cortando na despesa; já no Governo do PSD/CDS, o senhor Ministro das Finanças disse que para fazer face a um desvio orçamental, que alguém tinha apelidado de colossal, iria "arranjar" mil milhões de euros do lado da despesa (atenção: cortes nas comparticipações de medicamentos e aumentos de taxas moderadoras, são impostos). Finalmente foram anunciados efectivos cortes na despesa que poupam cem milhões de euros por ano. Continuamos a aguardar a "choruda" fatia de cortes na despesa, pois só assim teremos algum descanso quanto a mais aumentos de impostos.

- Semana da Mobilidade: a semana que nos fez pensar quão "imóveis" nos obrigam a ser. Bastou-me uma lesão com pouca gravidade numa costela para dar conta que a porta de acesso à agência bancária do BES onde vou há anos tem um degrau de cerca 30 cm de altura.

- Livro da semana: Gente Independente, de Halldór Laxness. Romance passado numa grande ilha, a Islândia (pop. cerca de 300000 habitantes). A independência não se ganha com chico-espertismos, populismos e traulitada. Ganha-se com trabalho sério, perseverança, cabeça erguida.