- A reforma do Prof. Cavaco Silva não lhe dá para as despesas: Já tudo foi dito sobre o assunto, incluindo um esclarecimento do próprio, mas registe-se a particularidade de a declaração suicida não ter sido dita através do Facebook. É a prova de que o Prof. Cavaco Silva não é apenas virtual e que quando se materializa é do pior que há.
- O pacote laboral: custa a entender a posição da UGT ao concordar com os novos princípios que irão presidir à regulamentação do mercado de trabalho. E custa a entender porque o seu secretário-geral, que se desdobrou em entrevistas e conferências de imprensa, ainda não a conseguiu explicar (porventura, o defeito será de incapacidade de compreensão grande parte dos portugueses). Ao cabo destes dias, o Engº João Proença já terá notado que as associações patronais não precisaram de tanto tempo de antena para explicar o que tinham conseguido.
- A KODAK faliu: esta empresa fazia parte de muitos case study em MBA e Cursos de Gestão. Pode pensar-se que foi a actual crise que a levou à falência. Não foi. Há muito que a empresa estava em agonia com o advento das novas tecnologias do audio-visual e nem os sucessivos CEO e conselhos de administração foram capazes de a salvar. Não foi devido à falta de flexibilidade da lei laboral norte-americana, não foi devido ao custo do trabalho, não foi devido ao número de feriados. Então que raio é que foi?
- Frase da semana: "Estava a coordenar as acções de salvamento quando, de repente, caí para um bote salva-vidas", mais ou menos isto, dito pelo comandante do navio que adornou ao largo da costa italiana. Mais ou menos o que se passa com certos políticos, estavam ali e de repente dão com eles em Primeiro-Ministro, em Presidente da Comissão europeia, em administradores de grandes empresas.
- Livro da semana Os Elefantes de Aníbal, de Hans Baumann, livro juvenil, excelente descrição da viagem de Cartago até Roma do exército de Aníbal Barca. Os europeus ficavam aterrados quando viam os imensos bicharocos. Hoje, inverteu-se a situação: tememos mais a Aníbal, do que aos pachorrentos animais que se visitam no Zoológico.
24 janeiro 2012
23 janeiro 2012
A VINGANÇA
Dos sentimentos, um dos que maior poder encantatório tem é o da vingança.
E o fascínio sobre quem o analisa resulta da sua singularidade nos mais variados aspectos: é dos sentimentos "negativos", por ventura, o mais tolerado; aquele que a moral judaico-cristã não anatematiza, mas sublima considerando-o (no Antigo Testamento) "quase como um direito" que assiste a Deus, ou mais ainda, fazendo parte da índole divina; a vingança é o sentimento que tem por base a ideia de justiça e tenta repor a equidade das acções, é um sentimento equilibrador, (as punições, os castigos, não passam de vinganças).
Mas onde o sentimento da vingança se distingue de todos os outros é que é dos poucos, se não o único, que não tem contraditório natural, não existe sentimento natural de sinal contrário, como em amor/ódio, inveja/generosidade, alegria/tristeza e por aí adiante. A vingança terá por oposto o sentimento de perdão. Só que o perdão não surge expontâneo, é fruto de formação e educação e precedem-no outros sentimentos como o da amizade ou o do amor. E se "ódio velho não cansa", é o sentimento de vingança que suporta o ódio. A outra particularidade da vingança é o facto de ser o único sentimento que se alimenta do tempo. Dir-se-á que amores e ódios existem que crescem com o tempo. Mas nem todos. Enquanto que todas as vinganças não consumadas têm no passar do tempo campo fértil de crescimento. E a interacção com o tempo é assaz interessante, porquanto o tempo é uma abstracção humana, de onde o sentimento "sustentar-se" em algo que "não existe".
(Escrevi o romance "Um Amor Sem Tempo" explorando as facetas da vingança de que acima falei.Para que conste, não é auto-biográfico).
E o fascínio sobre quem o analisa resulta da sua singularidade nos mais variados aspectos: é dos sentimentos "negativos", por ventura, o mais tolerado; aquele que a moral judaico-cristã não anatematiza, mas sublima considerando-o (no Antigo Testamento) "quase como um direito" que assiste a Deus, ou mais ainda, fazendo parte da índole divina; a vingança é o sentimento que tem por base a ideia de justiça e tenta repor a equidade das acções, é um sentimento equilibrador, (as punições, os castigos, não passam de vinganças).
Mas onde o sentimento da vingança se distingue de todos os outros é que é dos poucos, se não o único, que não tem contraditório natural, não existe sentimento natural de sinal contrário, como em amor/ódio, inveja/generosidade, alegria/tristeza e por aí adiante. A vingança terá por oposto o sentimento de perdão. Só que o perdão não surge expontâneo, é fruto de formação e educação e precedem-no outros sentimentos como o da amizade ou o do amor. E se "ódio velho não cansa", é o sentimento de vingança que suporta o ódio. A outra particularidade da vingança é o facto de ser o único sentimento que se alimenta do tempo. Dir-se-á que amores e ódios existem que crescem com o tempo. Mas nem todos. Enquanto que todas as vinganças não consumadas têm no passar do tempo campo fértil de crescimento. E a interacção com o tempo é assaz interessante, porquanto o tempo é uma abstracção humana, de onde o sentimento "sustentar-se" em algo que "não existe".
(Escrevi o romance "Um Amor Sem Tempo" explorando as facetas da vingança de que acima falei.Para que conste, não é auto-biográfico).
20 janeiro 2012
O Coração é um Caçador Solitário, Carson McCullers, EDITORIAL PRESENÇA
O Coração é um Caçador Solitário (em inglês tem uma sonoridade especial The Heart is a Lonely Hunter) escrito por Carson McCullers com vinte e três anos e foi o seu romance de estreia.
O autor percorre uma galeria de personagens todos elas com algum estigma - étnico, social, físico - que as fazem, de um modo, ou de outro, sentirem-se rejeitadas pela comunidade. Algumas dessas personagens limitam-se a constatar a sub-alternidade da sua posição de classe, agradecendo todas as pequenas dádivas que a vida lhes possa conceder; outras, e essas são sempre as mais interessantes, lutam, mesmo que apenas interiormente, contra o que a vida lhe destinou, por o considerarem injusto.
O tema da obra é a discriminação, que quase se transforma na personagem principal da obra. As personagens humanas mantém todas um nível muito idêntico de importância, quase não havendo personagens secundárias. Normalmente, dessas personagens, são destacadas duas: a rapariguinha Mike, e o surdo-mudo, Singer. Possivelmente por terem um cariz mais dramático e mais emotivo. No entanto, o Dr. Coppland, médico negro, é a figura que o autor trata com traços mais detalhados e profundos. Ele é o rochedo, a âncora, da consciência de que a discriminação e a rejeição injusta e injustificada existem, mas que a culpa não está apenas nos factores externos; ele é o típico resistente dentro do sistema e aquele que acredita que a mudança se faz com persistência e a longo prazo, apenas há que não desistir.
Romance sulista (quase se poderia criar um mito urbano, afirmando que o romance estado-unidense, é eminentemente sulista, mesmo que os autores sejam do norte), região dos Estados Unidos pródiga em carácteres peculiares, com traços psicológicos muito vincados, com vivências sociológicas de discriminação muito próprias, já chegou a ser incluído em lista dos 100 melhores romances do séc. XX. Não parece ter estofo bastante para ombrear com muitos que figuram em compilações do género,e porque haverá outros cem romances que lhe retirarão o lugar. Romance escorreito, em que o autor não cai na tentação fácil de estereotipar as personagens, a ler...se estiver por perto.
O autor percorre uma galeria de personagens todos elas com algum estigma - étnico, social, físico - que as fazem, de um modo, ou de outro, sentirem-se rejeitadas pela comunidade. Algumas dessas personagens limitam-se a constatar a sub-alternidade da sua posição de classe, agradecendo todas as pequenas dádivas que a vida lhes possa conceder; outras, e essas são sempre as mais interessantes, lutam, mesmo que apenas interiormente, contra o que a vida lhe destinou, por o considerarem injusto.
O tema da obra é a discriminação, que quase se transforma na personagem principal da obra. As personagens humanas mantém todas um nível muito idêntico de importância, quase não havendo personagens secundárias. Normalmente, dessas personagens, são destacadas duas: a rapariguinha Mike, e o surdo-mudo, Singer. Possivelmente por terem um cariz mais dramático e mais emotivo. No entanto, o Dr. Coppland, médico negro, é a figura que o autor trata com traços mais detalhados e profundos. Ele é o rochedo, a âncora, da consciência de que a discriminação e a rejeição injusta e injustificada existem, mas que a culpa não está apenas nos factores externos; ele é o típico resistente dentro do sistema e aquele que acredita que a mudança se faz com persistência e a longo prazo, apenas há que não desistir.
Romance sulista (quase se poderia criar um mito urbano, afirmando que o romance estado-unidense, é eminentemente sulista, mesmo que os autores sejam do norte), região dos Estados Unidos pródiga em carácteres peculiares, com traços psicológicos muito vincados, com vivências sociológicas de discriminação muito próprias, já chegou a ser incluído em lista dos 100 melhores romances do séc. XX. Não parece ter estofo bastante para ombrear com muitos que figuram em compilações do género,e porque haverá outros cem romances que lhe retirarão o lugar. Romance escorreito, em que o autor não cai na tentação fácil de estereotipar as personagens, a ler...se estiver por perto.
16 janeiro 2012
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- ASAE no Pingo Doce e Continente - A ASAE apreendeu nestas duas grandes superfícies uns valentes litros de leite que eventualmente estavam a ser vendidos abaixo do preço de custo. A ser verdade, é ilegal; economicamente tem consequências gravosas sobre a concorrência; parece que o leite era espanhol, e devemos consumir português. Mas, neste caso quase que apetecia fechar os olhos a tudo isto.
Além disso os pacotes apreendidos constituem elemento de prova. Vão guardá-los no frigorífico ou deitar fora quando azedar?
- Filha do Prof. Braga de Macedo, subsidiada por organização estatal presidida pelo pai - Qual é o pai que não faz tudo pelos filhos? Nenhum. E muito mais fariam se fosse através de uma OPM - other people's money - com o dinheiro dos outros, de nós todos. Foi tudo formal e legal? Porventura, foi. Foi ético? Não, não foi.
- A S&P baixou o rating de várias Repúblicas - algo não bate certo, a Europa (ler, Sr.ª Merkl, Sr. Sarkozy) delineou uma estratégia para a acalmia dos mercados. Os mercados não há meio de se acalmarem, e a Europa insiste na receita adoptada. O governo português adoptou a estratégia da asfixia económico-financeira do país para mostrar que é "aluno" exemplar a fazer os trabalhos de casa, pimba, baixa-se o rating a Portugal. Excluindo o período de abertura, as Bolsas estiveram-se nas tintas. Se antes, tudo tinha a ver com tudo, agora, nada tem a ver com nada.
- Conversas improváveis Ricardo Araújo Pereira/Marcelo Rebelo de Sousa - a melhor e a mais eficaz oposição ao governo.
- Frase da semana - "os idosos têm direito à hemodiálise...se a pagarem", Manuela Ferreira Leite; "até é bom que eu ganhe muito, pois assim pago mais impostos", Eduardo Catroga; "a descida do rating pela S&P, é uma decisão política", Passos Coelho, fresquinha, d' hoje. Esta semana foram tantas que nem aqui cabe a do pastel de Belém do Sr. Álvaro Ministro.
- Livro da semana - Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal, recomendado a quem quiser enfiar a carapuça, mas mesmo que alguns não a enfiem, ficava-lhes a matar. Digo eu.
post scriptum: A oposição tem andando tão morninha que não aparece no campo de VISÃO.
Além disso os pacotes apreendidos constituem elemento de prova. Vão guardá-los no frigorífico ou deitar fora quando azedar?
- Filha do Prof. Braga de Macedo, subsidiada por organização estatal presidida pelo pai - Qual é o pai que não faz tudo pelos filhos? Nenhum. E muito mais fariam se fosse através de uma OPM - other people's money - com o dinheiro dos outros, de nós todos. Foi tudo formal e legal? Porventura, foi. Foi ético? Não, não foi.
- A S&P baixou o rating de várias Repúblicas - algo não bate certo, a Europa (ler, Sr.ª Merkl, Sr. Sarkozy) delineou uma estratégia para a acalmia dos mercados. Os mercados não há meio de se acalmarem, e a Europa insiste na receita adoptada. O governo português adoptou a estratégia da asfixia económico-financeira do país para mostrar que é "aluno" exemplar a fazer os trabalhos de casa, pimba, baixa-se o rating a Portugal. Excluindo o período de abertura, as Bolsas estiveram-se nas tintas. Se antes, tudo tinha a ver com tudo, agora, nada tem a ver com nada.
- Conversas improváveis Ricardo Araújo Pereira/Marcelo Rebelo de Sousa - a melhor e a mais eficaz oposição ao governo.
- Frase da semana - "os idosos têm direito à hemodiálise...se a pagarem", Manuela Ferreira Leite; "até é bom que eu ganhe muito, pois assim pago mais impostos", Eduardo Catroga; "a descida do rating pela S&P, é uma decisão política", Passos Coelho, fresquinha, d' hoje. Esta semana foram tantas que nem aqui cabe a do pastel de Belém do Sr. Álvaro Ministro.
- Livro da semana - Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal, recomendado a quem quiser enfiar a carapuça, mas mesmo que alguns não a enfiem, ficava-lhes a matar. Digo eu.
post scriptum: A oposição tem andando tão morninha que não aparece no campo de VISÃO.
12 janeiro 2012
O FORMALISMO E A ÉTICA
O formalismo é aquilo que permite fechar os olhos à ética e à moral. Cumpridos todos os preceitos, que é como quem diz todas as formas, qualquer acto de certeza é pelo menos não-ilegal. Mas a lei, bastas vezes, fica aquém da ética e da moral porque estas são umas leis mais leis que cada um adopta para si próprio. Quem se limita a cumprir a lei não é necessariamente boa pessoa, pode ser medroso, temente de punições e não ter oportunidades de cometer infracções. Quem se rege pela ética, cumpre de certeza a lei, não por medo, mas por ser o correcto e por vontade própria; e cumpre mais do que a lei porque se impôs códigos de conduta consentâneos com uma vivência exemplar em sociedade.
Quando as regras éticas e morais são vertidas em leis, as mulheres e homens de ética superam-se e descobrem formas de regras ainda mais exemplares. É o seguimento da ética e da moral que legitima a posição de cada um na sociedade, e não apenas o mero, escrupuloso e formal cumprimento da lei.
Na Caixa Geral de Depósitos, na EDP, nas Águas de Portugal foram seguidos todos os formalismos de nomeação? Foram. Mas são imorais.
É do formalismo das campanhas eleitorais fazer promessas que na governação não são cumpridas? É, não viola qualquer lei. Mas não é ético.
Preferia mil vezes que a Constituição previsse punições para declarações de um candidato a Primeiro-Ministro, tais como é mentira que vá cortar o décimo terceiro mês, não quero ser eleito para dar emprego aos amigos quando não cumpridas, do que um tecto para o déficite orçamental.
Quando as regras éticas e morais são vertidas em leis, as mulheres e homens de ética superam-se e descobrem formas de regras ainda mais exemplares. É o seguimento da ética e da moral que legitima a posição de cada um na sociedade, e não apenas o mero, escrupuloso e formal cumprimento da lei.
Na Caixa Geral de Depósitos, na EDP, nas Águas de Portugal foram seguidos todos os formalismos de nomeação? Foram. Mas são imorais.
É do formalismo das campanhas eleitorais fazer promessas que na governação não são cumpridas? É, não viola qualquer lei. Mas não é ético.
Preferia mil vezes que a Constituição previsse punições para declarações de um candidato a Primeiro-Ministro, tais como é mentira que vá cortar o décimo terceiro mês, não quero ser eleito para dar emprego aos amigos quando não cumpridas, do que um tecto para o déficite orçamental.
10 janeiro 2012
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
Conselho Superior da EDP - É bem mais vergonhosa a nomeação da nova equipa de gestão da EDP do que a pretensa fuga da família Soares dos Santos para a Holanda. É-o, porque se na distribuição alimentar podemos boicotar (é um disparate) o Pingo Doce e optar por outra marca também sediada fora de Portugal, ou pelas mercearias tradicionais, na energia eléctrica somos obrigados a consumir dali, da EDP (há concorrência tímida da parte de uma empresa espanhola). Além de uma parte dos vencimentos da EDP ainda serem pagos por todos nós, é notória a maior falta de vergonha na face angelical do senhor Primeiro-Ministro.
Déficite de 2011 - Prognósticos só no fim do jogo, dizia sabiamente João Pinto, antigo capitão do F.C.Porto. Fez história com esta frase. E história fará este governo até acertar no déficite que lhe convém. Não vale a pena fazer previsões do déficite, o governo aguarda mesmo o fim do jogo e à cautela vai prometendo novas medidas de austeridade.
Frase da semana - O Presidente da EDP afirmou que a escolha dos novos administradores é da exclusiva responsabilidade dos accionistas. Não poderia ser de outro modo. Que outras engenhosas maneiras imagina ele pudessem existir? Estaria a pensar naqueles métodos que mostram as influências do poder político na determinação das escolhas? É bom não esquecer que os accionistas, especialmente os privados, estão sempre dispostos a considerarem as políticas sugestões. Depois cobram com juros.
Livro da semana - O Cemiterio de Praga, de Umberto Eco, recomendado aos não-maçons para saberem de onde vem o medo da Maçonaria.
Déficite de 2011 - Prognósticos só no fim do jogo, dizia sabiamente João Pinto, antigo capitão do F.C.Porto. Fez história com esta frase. E história fará este governo até acertar no déficite que lhe convém. Não vale a pena fazer previsões do déficite, o governo aguarda mesmo o fim do jogo e à cautela vai prometendo novas medidas de austeridade.
Frase da semana - O Presidente da EDP afirmou que a escolha dos novos administradores é da exclusiva responsabilidade dos accionistas. Não poderia ser de outro modo. Que outras engenhosas maneiras imagina ele pudessem existir? Estaria a pensar naqueles métodos que mostram as influências do poder político na determinação das escolhas? É bom não esquecer que os accionistas, especialmente os privados, estão sempre dispostos a considerarem as políticas sugestões. Depois cobram com juros.
Livro da semana - O Cemiterio de Praga, de Umberto Eco, recomendado aos não-maçons para saberem de onde vem o medo da Maçonaria.
08 janeiro 2012
O PALHAÇO
O palhaço é um ser discreto, lento, que rola nas estradas portuguesas, pelo qual não se dá conta a não ser quando ele não se desenrasca e enrasca a velocidade ou a manobra automobilística de outrem. É um ser que se encontra com frequência na faixa do meio, ou na da esquerda, das auto-estradas, que descansa nos cruzamentos enquanto houver outros veículos no horizonte longínquo. Os palhaços são seres de sangue frio, porquanto têm a tendência em sair das suas luras em dias de sol e têm um tropismo pela volta-dos-tristes.
Pela pequena descrição feita, não se pense que o palhaço não tem momentos de ousadia e de defesa do território, nomeadamente quando não deixa que outro veículo se meta à má-fila ultrapassando ufanamente uma série de papalvos, palhaços, que estão pacientemente numa fila de trânsito à espera que ela avance. A maior parte das vezes o instinto de defesa repercute-se na buzina.
Este ser, o palhaço, é apenas do sexo masculino. A palhaça não existe. Antigamente existia a dona-de-casa - devias estar em casa a coser meias, era o que se ouvia no trânsito - como simétrico feminino do palhaço, mas parece que o termo caiu um desuso, porquanto a dona-de-casa, principalmente os elementos mais jovens, desataram a chamar palhaço a torto e a direito a qualquer condutor que não lhes faculte rapidamente a pretendida passagem, mesmo que não devida.
Um palhaço para se reproduzir não acasala com um ser da própria espécie e só terá palhacinhos se estes forem do sexo masculino e fracos. Os palhacinhos, enquanto jovens condutores, terão a tentação de abandonar a espécie, mas depois vão ao sítio.
O ser-se palhaço não é inerente ao indivíduo em si, é antes resultado de uma relativização social, ou seja: o elemento mais forte tem a prorrogativa de chamar palhaço ao elemento mais fraco, e um palhaço pode momentaneamente deixar de o ser se encontrar um elemento mais fraco do que ele; assim como o elemento mais forte pode por instantes passar a ser palhaço se aparecer um ainda mais forte.
Mas existem comportamentos desviantes. Alguns palhaços, quando se acham em posição de fuga, retribuem o ápodo e, os mais ágeis, chegam mesmo a usar os dedos, o do meio ao alto, ou o indicador junto à testa. É de referir que esta prática do dedo do meio levantado ao alto, por vezes com os dois que lhe são contíguos encolhidos, e a verbalização, vai pr'ó..., está a ser muito mimetizada pelos elementos femininos da comunidade automobilística.
O palhaço tem espécies que se lhe assemelham: o ceguinho. Estudos existem que levam a crer, mas ainda sem conclusões, que o ceguinho é afinal um palhaço que não vê. O problema do ceguinho não é não ver, é estar convencido de que vê.
Os seguidores de Darwin têm em Portugal os seus Galápagos se quiserem debruçar-se sobre a evolução das espécies automobilísticas e de como os seus comportamentos mais agressivos se perpetuam, desenvolvem e se alteram.
Ao não beba, não acelere, não fale ao telemóvel, etc., deveria juntar-se no breviário das práticas de boa condução o NÃO INSULTE.
Pela pequena descrição feita, não se pense que o palhaço não tem momentos de ousadia e de defesa do território, nomeadamente quando não deixa que outro veículo se meta à má-fila ultrapassando ufanamente uma série de papalvos, palhaços, que estão pacientemente numa fila de trânsito à espera que ela avance. A maior parte das vezes o instinto de defesa repercute-se na buzina.
Este ser, o palhaço, é apenas do sexo masculino. A palhaça não existe. Antigamente existia a dona-de-casa - devias estar em casa a coser meias, era o que se ouvia no trânsito - como simétrico feminino do palhaço, mas parece que o termo caiu um desuso, porquanto a dona-de-casa, principalmente os elementos mais jovens, desataram a chamar palhaço a torto e a direito a qualquer condutor que não lhes faculte rapidamente a pretendida passagem, mesmo que não devida.
Um palhaço para se reproduzir não acasala com um ser da própria espécie e só terá palhacinhos se estes forem do sexo masculino e fracos. Os palhacinhos, enquanto jovens condutores, terão a tentação de abandonar a espécie, mas depois vão ao sítio.
O ser-se palhaço não é inerente ao indivíduo em si, é antes resultado de uma relativização social, ou seja: o elemento mais forte tem a prorrogativa de chamar palhaço ao elemento mais fraco, e um palhaço pode momentaneamente deixar de o ser se encontrar um elemento mais fraco do que ele; assim como o elemento mais forte pode por instantes passar a ser palhaço se aparecer um ainda mais forte.
Mas existem comportamentos desviantes. Alguns palhaços, quando se acham em posição de fuga, retribuem o ápodo e, os mais ágeis, chegam mesmo a usar os dedos, o do meio ao alto, ou o indicador junto à testa. É de referir que esta prática do dedo do meio levantado ao alto, por vezes com os dois que lhe são contíguos encolhidos, e a verbalização, vai pr'ó..., está a ser muito mimetizada pelos elementos femininos da comunidade automobilística.
O palhaço tem espécies que se lhe assemelham: o ceguinho. Estudos existem que levam a crer, mas ainda sem conclusões, que o ceguinho é afinal um palhaço que não vê. O problema do ceguinho não é não ver, é estar convencido de que vê.
Os seguidores de Darwin têm em Portugal os seus Galápagos se quiserem debruçar-se sobre a evolução das espécies automobilísticas e de como os seus comportamentos mais agressivos se perpetuam, desenvolvem e se alteram.
Ao não beba, não acelere, não fale ao telemóvel, etc., deveria juntar-se no breviário das práticas de boa condução o NÃO INSULTE.
Subscrever:
Comentários (Atom)
