Cormack McCarthy denominou, ele próprio, um conjunto de três livros de Trilogia de Fronteira porque passados na região fronteiriça entre os Estados-Unidos e o México.
Estranha forma de começar este texto quando já de seguida se diz que na mencionada trilogia Meridiano de Sangue não se inclui. Só que em toda a sua obra, McCarthy dá a sensação de em espírito nunca abandonar essa região de fronteira: a física e a mental. Meridiano de Sangue não foge à regra: um bando de homens "brancos" (entre aspas, porque também, integra um negro e índios)percorre a zona fronteira entre os EUA e o México com um rumo vago, com um destino incerto e um objectivo que nunca é verdadeiramente definido, a não ser o da sobrevivência. Mesmo assim a vida não é tida em conta, nem em grande consideração. A dos outros e a própria.
Cormack McCarthy relata o deambular do bando de Glantone, do Kid e do Juiz, por uma terra sem lei que não seja a força, o terror, a ausência de humanidade. E esta é a fronteira mental, o moral, que Cormack McCarthy traça para nós vermos de que lado pomos o pé. Mas os seres humanos não são os protagonistas desta viagem alucinada. O romance é uma longa descrição de uma terra inóspita e violenta, feita de deserto e sangue, desfiladeiros alcantilados e suor, frio de enregelar e ossadas, sol abrasivo e escalpes, animais necrófagos e seres humanos que lhes providenciam alimento. No meio da paisagem, como outros animais evoluem bandos de desperados, milícias, índios, populações sem defesas contra os elementos naturais e os homens sem valores. A terra O bando é apenas mais um elemento da natureza que serve para nos guiar através de uma escrita violenta que reflecte à perfeição a violência e a rudeza dos lugares, do ar, da noite, do dia, dos homens.
Meridiano de Sangue, com subtítulo O Crepúsculo do Velho Oeste (o crepúsculo é também uma fronteira) porventura o melhor romance de Cormack McCarthy.
23 abril 2012
17 abril 2012
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- Reforma da Segurança Social - Medina Carreira resumiu a política social deste governo: contabilidade e tesouraria social. Paga-se o que se puder, enquanto se puder.
O governo, expondo desta vez um ministro do CDS, tem anunciado medidas avulsas sobre a Segurança Social, que visam tão somente preparar os portugueses para a extinção do Estado Social, em linha com as teoria e práticas agora em moda na Europa, justificando a crise com os gastos na Segurança Social.
- O Primeiro-Ministro quer aproveitar a crise para reformar o Estado - Se reformar é pôr na ordem, não se deve esperar por épocas de crise; se reformar, é aligeirar a máquina, qualquer ocasião é boa; se reformar é modernizar, não parece que altura de crise seja a mais propícia. Percebe-se o dizer do senhor Primeiro-Ministro: em época de crise os portugueses aguentam tudo, porque a crise é sempre a desculpa.
- 100 anos do naufrágio do Titanic - O navio inafundável tornou-se um mito, precisamente porque o Homem tem ciclicamente visões de que conseguiu dominar a matéria, a natureza e o Mundo. Preversamente a máquina perfeita foi derrotada por um elemento da natureza e nem sequer terminou a sua viagem inaugural. À atenção de todos aqueles que pensam que, nos sistemas sociais, é chegado o fim da História.
- Frase da semana - A verdade é a soma das partes, Jorge Jesus. Novo axioma matemático...ou filosófico.
- Livro da semana - Retorno, Dulce Maria Cardoso. História de retornados das ex-colónias, de devolvidos à procedência, e agora amanhem-se. Não seremos todos nós (quase todos( retornados dentro do mesmo espaço, retornados a vidas difíceis de países sub-desenvolvidos que julgávamos não tornarem a ser possíveis..
- O Primeiro-Ministro quer aproveitar a crise para reformar o Estado - Se reformar é pôr na ordem, não se deve esperar por épocas de crise; se reformar, é aligeirar a máquina, qualquer ocasião é boa; se reformar é modernizar, não parece que altura de crise seja a mais propícia. Percebe-se o dizer do senhor Primeiro-Ministro: em época de crise os portugueses aguentam tudo, porque a crise é sempre a desculpa.
- 100 anos do naufrágio do Titanic - O navio inafundável tornou-se um mito, precisamente porque o Homem tem ciclicamente visões de que conseguiu dominar a matéria, a natureza e o Mundo. Preversamente a máquina perfeita foi derrotada por um elemento da natureza e nem sequer terminou a sua viagem inaugural. À atenção de todos aqueles que pensam que, nos sistemas sociais, é chegado o fim da História.
- Frase da semana - A verdade é a soma das partes, Jorge Jesus. Novo axioma matemático...ou filosófico.
- Livro da semana - Retorno, Dulce Maria Cardoso. História de retornados das ex-colónias, de devolvidos à procedência, e agora amanhem-se. Não seremos todos nós (quase todos( retornados dentro do mesmo espaço, retornados a vidas difíceis de países sub-desenvolvidos que julgávamos não tornarem a ser possíveis..
10 abril 2012
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- A resposta do Dr. António José Seguro ao Prof. Marcelo Rebelo de Sousa - Já seria mau o Secretário-Geral do PS ter respondido ao comentador televisivo a quente, num impulso,mas impensável fazê-lo taco-a-taco, com as mesmas armas e no mesmo espaço. Alguém deveria ter avisado o SG da PS, que o tempo televisivo do comentador é muito superior e que as audiências são maiores, o Prof. fala do que quer, quando quer, e não sobre o que lhe perguntam. Antigamente, em duelos, os defensores da honra batiam-se, mas muitas vezes falhavam propositadamente o tiro, a estocada final, para demonstrarem a sua superioridade.
- Regra de ouro na Constituição - Ou se justifica a colocação desta regra na Constituição, ou não se justifica. Não é por se arranjar moeda de troca,colocando a taxa máxima de desemprego num tratado complementar, que a regra de ouro merece inclusão na lei fundamental. Os déficites são controlados (pelos Estados,era desejável) a taxa de desemprego detende em grande medida da iniciativa privada, que irá reclamar resmas de subsídios para a criação de emprego, ou então, o governo é obrigado a contratar-nos a todos (todos, até atingir o tal limite) para funcionários públicos.
- Retoma do pagamento dos subsídios de férias e Natal e congelamento das pré-reformas - Sem discutir as medidas, o que os factos e as declarações dos membros do governo (e partidos apoiantes) mostram é que o executivo se comporta como se fosse dono dos portugueses. Correcção, não se comporta, estão mesmo convencidos que são donos dos portugueses.
- Frase da semana - "2015 é o ano consecutivamente seguinte a 2014", Ministro das Finanças tentando salvar a face do lapso em que incorreu perante as declarações do Primeiro-Ministro que o contradisseram. É uma frase batida, no sentido que já foi mais do que realçada, e no sentido de que já levou pancada a torto e a direito. O pior de tudo foi o ar de gozo com que a disse, anunciando até, que a ia dizer devagar. Não se tratasse da vida das pessoas e o Ministro das Finanças seria recordado por um apurado sentido de humor.
- Livro da semana - A Queda de um Anjo, Camilo Castelo Branco, o que de melhor se escreveu em Portugal sobre a classe política que se vê a braços com o poder sem lhe saber dar uso.
- Regra de ouro na Constituição - Ou se justifica a colocação desta regra na Constituição, ou não se justifica. Não é por se arranjar moeda de troca,colocando a taxa máxima de desemprego num tratado complementar, que a regra de ouro merece inclusão na lei fundamental. Os déficites são controlados (pelos Estados,era desejável) a taxa de desemprego detende em grande medida da iniciativa privada, que irá reclamar resmas de subsídios para a criação de emprego, ou então, o governo é obrigado a contratar-nos a todos (todos, até atingir o tal limite) para funcionários públicos.
- Retoma do pagamento dos subsídios de férias e Natal e congelamento das pré-reformas - Sem discutir as medidas, o que os factos e as declarações dos membros do governo (e partidos apoiantes) mostram é que o executivo se comporta como se fosse dono dos portugueses. Correcção, não se comporta, estão mesmo convencidos que são donos dos portugueses.
- Frase da semana - "2015 é o ano consecutivamente seguinte a 2014", Ministro das Finanças tentando salvar a face do lapso em que incorreu perante as declarações do Primeiro-Ministro que o contradisseram. É uma frase batida, no sentido que já foi mais do que realçada, e no sentido de que já levou pancada a torto e a direito. O pior de tudo foi o ar de gozo com que a disse, anunciando até, que a ia dizer devagar. Não se tratasse da vida das pessoas e o Ministro das Finanças seria recordado por um apurado sentido de humor.
- Livro da semana - A Queda de um Anjo, Camilo Castelo Branco, o que de melhor se escreveu em Portugal sobre a classe política que se vê a braços com o poder sem lhe saber dar uso.
09 abril 2012
O euro (em) 2012
Um amigo (ou se calhar, não) difundiu via e-mail um artigo de Pedro Brás Teixeira, Investigador do NECEP da Universidade Católica, sobre a mais do que previsível e provável saída de Portugal do euro em 2012. Tirou-me o sono ao antever que iríamos perder as nossas poupanças, que a nova moeda seria desvalorizada em cerca de 20% (em relação ao euro, julgo eu) e de que iriam começar a faltar os bens alimentares (e outros). Como solução, "subscrevermos um seguro" que passaria por retirar dinheiro dos bancos e guardá-lo em casa e aprovisionar a despensa com alimentos.
Não sou dado a alarmismos e até vejo o "Walking Dead" à meia-noite nas calmas, mas que o estuporado do artigo me tirou o sono, tirou.
E o pior é que as insónias esta noite não vão passar: A senhora Lagarde, do FMI, admite a saída da Grécia do euro. "Portugal não é Grécia, nós somos bons alunos. Não nos comparem com a Grécia, comparem-nos com a Irlanda", clamam por aí
"-Ó mulher, quantas latas de atum e de salsichas temos na despensa?"
Não sou dado a alarmismos e até vejo o "Walking Dead" à meia-noite nas calmas, mas que o estuporado do artigo me tirou o sono, tirou.
E o pior é que as insónias esta noite não vão passar: A senhora Lagarde, do FMI, admite a saída da Grécia do euro. "Portugal não é Grécia, nós somos bons alunos. Não nos comparem com a Grécia, comparem-nos com a Irlanda", clamam por aí
"-Ó mulher, quantas latas de atum e de salsichas temos na despensa?"
Curso de Escrita de Ficção
Carlos Machado, aos cinquenta anos, escreveu o seu primeiro romance, “O Homem Que Viveu Duas Vezes”, com o qual venceu o Prémio Alves Redol.
Se tivesse frequentado uma Oficina de Escrita, teria demorado tanto tempo a iniciar-se na actividade literária?
Três sessões,com Carlos Machado, dias 13, 20 e 27 de Abril, das 15:00, às 18:00.
Objectivo: despertar a imaginação; perder o medo de escrever; trabalhar as técnicas da escrita em prosa; escrever um conto.
Destinatários: escreventes mais de 16 anos, formadores, candidatos a profissões em que escrever seja fundamental.
Preço: 85 €
Local: Associação de Residentes de Telheiras
Rua Professor Mário Chicó, 5 1600-643 LISBOA
Últimas inscrições para: cbmachado@hotmail.com
Se tivesse frequentado uma Oficina de Escrita, teria demorado tanto tempo a iniciar-se na actividade literária?
Três sessões,com Carlos Machado, dias 13, 20 e 27 de Abril, das 15:00, às 18:00.
Objectivo: despertar a imaginação; perder o medo de escrever; trabalhar as técnicas da escrita em prosa; escrever um conto.
Destinatários: escreventes mais de 16 anos, formadores, candidatos a profissões em que escrever seja fundamental.
Preço: 85 €
Local: Associação de Residentes de Telheiras
Rua Professor Mário Chicó, 5 1600-643 LISBOA
Últimas inscrições para: cbmachado@hotmail.com
04 abril 2012
O Sr. Primeiro-Ministro "desdisse-se"
O senhor Primeiro-Ministro, Dr. Pedro Manuel Mamede Passos Coelho (dito assim para que não existam dúvidas de quem se trata), enganou novamente ao portugueses: afirmou no ano passado que o corte dos subsídios de férias e de Natal era transitório e por dois anos; hoje disse que seria reposto a partir de 2015 (ano de eleições legislativas) e de forma gradual (o que quer que isso signifique). O Dr. Passos Coelho perdeu definitivamente a vergonha, depois de ter pedido cínica e hipocriticamente desculpa aos portugueses por ter "alinhado" sem querer (disse o Dr. Pedro Manuel Mamede Passos Coelho) num aumento de impostos do Eng.Sócrates. Não há dúvida que ele há crocodilos muito piegas e chorões.
Peter Weiss, o cómico
Peter Weiss não é um especialista em economia e finanças, sociologia ou outra matéria do foro das ciências. É um cómico. Aconselho a PT a rescindir o contrato com os Gato Fedorento e a contratar Weiss para a sua campanha publicitária do MEO.
Diz Weiss que o desemprego subiu em Portugal porque os trabalhadores, quais chico-espertos, correram em massa a desempregar-se para conseguirem ainda as chorudas condições vigentes até 31 de Março. E compra a situação com a compra de tabaco antes do aumento de imposto, ou do custo do combustível, quando a populaça gastadora ainda lhe era capaz de determinar a tendência. O seja, os trabalhadores acorreram a comprar o seu desemprego por bom preço.
O próximo boneco a apresentar por Weiss é o da explicação dos patrões, também eles flagelados pela crise, a fecharem micro, pequenas e médias empresas, devido à falta de crédito, de procura interna, de impostos elevados. Aguardemos, que o homem é um pândego.
Diz Weiss que o desemprego subiu em Portugal porque os trabalhadores, quais chico-espertos, correram em massa a desempregar-se para conseguirem ainda as chorudas condições vigentes até 31 de Março. E compra a situação com a compra de tabaco antes do aumento de imposto, ou do custo do combustível, quando a populaça gastadora ainda lhe era capaz de determinar a tendência. O seja, os trabalhadores acorreram a comprar o seu desemprego por bom preço.
O próximo boneco a apresentar por Weiss é o da explicação dos patrões, também eles flagelados pela crise, a fecharem micro, pequenas e médias empresas, devido à falta de crédito, de procura interna, de impostos elevados. Aguardemos, que o homem é um pândego.
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