- Estação parva: a silly season tem de tudo, menos de parva, e em contraponto com o resto do ano revela-se bem mais séria do que possa parecer. Para além de se evaporarem do nosso convívio diário muitos políticos e comentadores que fazem jus ao epíteto da estação, teremos a avaliação da troika e as suas soluções para a derrapagem de execução orçamental e substituição do corte de subsídios na função pública.
- Jogos Olímpicos: O Reino unido fez uma sessão de abertura mostrando o que melhor tinha realizado nos últimos 150 anos e de que muito se orgulha. Um dos quadros era sobre o seu Serviço Nacional de Saúde. Sintomático, num país tido como liberal e conservador, que um dos seus orgulhos seja a redistribuição da riqueza numa área sensível como é a da saúde.
- Eleições nos EUA: Em Portugal segue-se com pouca (ou nenhuma) atenção a corrida à Casa Branca, a não ser durante a campanha propriamente dita em que as televisões enviam uns repórteres que nada dizem nem esclarecem sobre as ideias dos candidatos. É interessante ir conhecendo as declarações do candidato republicano, Mitt Romney, pois está definitivamente interessado em destornar Bush (filho) na idiotice. George W. Bush ao pé de Mitt Romney parece um licenciado, memso que com equivalências. Mitt Romney pode ser o idota de serviço, mas ele não é mais do que a face visível de certos senhores do Mundo.
- Frase da semana: Porque trata a Alemanha a zona euro como uma filial? Jean-Claude Juncker. Para já, filial é elogio, a Alemanha trata os países da zona euro como servos da gleba. Depois, o sr. Juncker é Primeiro-Ministro (legítimo e legitimado)do Luxemburgo há 17 anos, uma das praças financeiras da Europa pouco escrutinadas. Antes do finalmenete, o sr. Juncker esteve à frente, ou colaborou em lugares de destaque, com várias instituições financeiras que trouxeram a Europa (e o mundo ocidental) a este ponto. Finalmente, para quando uma posição concertada dos países em maiores dificuldades dentro do União Europeia? É a solidariedade, estúpidos, diria o sr. Clinton se estivesse a disputar eleições.
- Livro da semana: O Complexo de Portnoy, Philipe Roth. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
31 julho 2012
12 julho 2012
A porcaria do Dr. Pedro Passos Coelho
Comecemos pelo verdadeiro dito em inglês,don t hit the shit to the fan - não atires merda à ventoinha.
O senhor Primeiro-Ministro diz não revelar pormenores ou mesmo pormaiores do orçamento de 2013 para não atirar porcaria à ventoinha e não assustar os portugueses. Sejamos benévolos, mas pouco crentes, que quis dizer que não pretenderia meter medo aos portugueses com cenários catastrofistas que depois eventualmente não se venham a concretizar.
Tomando como bom este raciocínio, tiro a conclusão que o senhor Primeiro-Ministro não quererá mentir de novo aos portugueses, como o fez durante a campanha eleitoral quando afirmava que outros mentiam ao dizer que ele iria tirar os subsídios de férias e de Natal se viesse a formar governo; não quererá mentir de novo,como o fez quando anunciou a data de reposição dos ditos subsídios, obrigando o seu ministro das finanças a confessar que tinha cometido um lapso; etc., etc.
O Dr. Pedro Passos Coelho há muito que anda a atirar porcaria para a ventoinha, só que agora a geringonça começou a funcionar e ele não saiu da frente. Mesmo assim, gosto mais do provérbio mais português, não cuspas para o ar... É mais limpo.
Tomando como bom este raciocínio, tiro a conclusão que o senhor Primeiro-Ministro não quererá mentir de novo aos portugueses, como o fez durante a campanha eleitoral quando afirmava que outros mentiam ao dizer que ele iria tirar os subsídios de férias e de Natal se viesse a formar governo; não quererá mentir de novo,como o fez quando anunciou a data de reposição dos ditos subsídios, obrigando o seu ministro das finanças a confessar que tinha cometido um lapso; etc., etc.
O Dr. Pedro Passos Coelho há muito que anda a atirar porcaria para a ventoinha, só que agora a geringonça começou a funcionar e ele não saiu da frente. Mesmo assim, gosto mais do provérbio mais português, não cuspas para o ar... É mais limpo.
10 julho 2012
VISAO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- Licenciatura do Dr. Miguel Relvas: A licenciatura do Dr. Miguel Relvas pode ser permitida por lei. Mas depois do acesso ao processo e declarações de responsáveis da Lusófona parece provado o espirito colaboracionista da Universidade, que não consta seja tão benemérita com a maior parte dos alunos.
O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa diz que este caso é um "assunto" porque se faz o paralelismo com o do Eng. José Sócrates. É verdade, e não será alheio a essa verdade que a grande parte dos que verberavam contra Sócrates agora estão calados ou fazem do caso uma tímida recordação.
As redes sociais são hoje um fortíssimo meio de divulgação e contestação de determinadas práticas. O Dr. Miguel Relvas não pode olvidar esse facto e de como isso se reflecte na imagem do governo do qual ele é rosto proeminente.
- Renegociar a dívida: precisamos de mais tempo para pagar a dívida e cumprir as metas do déficite, mas devemos esperar que seja a troika a propor, disse Miguel Frasquilho (com ar compungido, sem a arrogância a que nos acostumou) num debate televisivo. Afirma-se que parece mal a um devedor demonstrar que precisa de novas condições mais facilitadas. Já alguma vez se viu algum credor de moto próprio dizer que deve conceder maiores facilidades aos devedores?
- Vaias a membros do Governo e PR: a austeridade gera descontentamento, é um facto. Mas os apupos que têm sido notícia devem-se aos lapsos (os subsídios de férias e Natal serão repostos parcialmente a partir de 2015), à falta de ética política (faltar à verdade numa Comissão Parlamentar), aos disparates nas declarações (a minha reforma não chega para viver), aos falsos moralismos (o Eng. Sócrates devia ter vergonha de como conseguiu a licenciatura). Que lhe espetem os dedos nos olhos e o tomem por parvo, é disso que o povo não gosta.
- Livrarias em Portugal : Portugal tem das mais antigas livrarias do mundo (Bertrand, Chiado), uma das mais belas do mundo (Lello, Porto) e a segunda maior do Mundo (Esperança, Funchal). O que fazemos com elas? E com todas as outras.
- Frase da semana: Se têm alternativas aos cortes que as apresentem, disse o senhor Primeiro-Ministro depois de saber que é necessário encontrar alternativa aos cortes dos subsídios da função pública. Estou de acordo, mas a frase não deveria ter sido dita com tom desafiador e com acinte, mas com um verdadeiro convite ao diálogo, ao entendimento e ao consenso.
- Livro da semana: Obras Completas , Jorge Luís Borges, qualquer volume. Ler um poema, um conto, uma peça ensaística ou de pura reflexão é ficar a meditar em frente do mar ou de verdes campos, é uma sugestão para as férias.
O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa diz que este caso é um "assunto" porque se faz o paralelismo com o do Eng. José Sócrates. É verdade, e não será alheio a essa verdade que a grande parte dos que verberavam contra Sócrates agora estão calados ou fazem do caso uma tímida recordação.
As redes sociais são hoje um fortíssimo meio de divulgação e contestação de determinadas práticas. O Dr. Miguel Relvas não pode olvidar esse facto e de como isso se reflecte na imagem do governo do qual ele é rosto proeminente.
- Renegociar a dívida: precisamos de mais tempo para pagar a dívida e cumprir as metas do déficite, mas devemos esperar que seja a troika a propor, disse Miguel Frasquilho (com ar compungido, sem a arrogância a que nos acostumou) num debate televisivo. Afirma-se que parece mal a um devedor demonstrar que precisa de novas condições mais facilitadas. Já alguma vez se viu algum credor de moto próprio dizer que deve conceder maiores facilidades aos devedores?
- Vaias a membros do Governo e PR: a austeridade gera descontentamento, é um facto. Mas os apupos que têm sido notícia devem-se aos lapsos (os subsídios de férias e Natal serão repostos parcialmente a partir de 2015), à falta de ética política (faltar à verdade numa Comissão Parlamentar), aos disparates nas declarações (a minha reforma não chega para viver), aos falsos moralismos (o Eng. Sócrates devia ter vergonha de como conseguiu a licenciatura). Que lhe espetem os dedos nos olhos e o tomem por parvo, é disso que o povo não gosta.
- Livrarias em Portugal : Portugal tem das mais antigas livrarias do mundo (Bertrand, Chiado), uma das mais belas do mundo (Lello, Porto) e a segunda maior do Mundo (Esperança, Funchal). O que fazemos com elas? E com todas as outras.
- Frase da semana: Se têm alternativas aos cortes que as apresentem, disse o senhor Primeiro-Ministro depois de saber que é necessário encontrar alternativa aos cortes dos subsídios da função pública. Estou de acordo, mas a frase não deveria ter sido dita com tom desafiador e com acinte, mas com um verdadeiro convite ao diálogo, ao entendimento e ao consenso.
- Livro da semana: Obras Completas , Jorge Luís Borges, qualquer volume. Ler um poema, um conto, uma peça ensaística ou de pura reflexão é ficar a meditar em frente do mar ou de verdes campos, é uma sugestão para as férias.
06 julho 2012
Cada vez percebo menos
Como trabalhador do sector privado, a decisão do Tribunal Constitucional sobre o corte dos subsídios da Função Pública não me podia ser mais desfavorável, na perspectiva de ser novamente sobretaxado.
Como democrata, a decisão do TC parece-me justa e acertada no que diz respeito ao principio da igualdade.
Como defensor do Estado de Direito, fico contente de o primado da justiça se ter sobreposto ao primado da economia.
Como ignorante em Direito, não entendo como é que se permite que se mantenha algo que é ilegal. O ano passado fez-se um orçamento rectificativo para ajustar uma execução orçamental que já estava em curso. O TC teve medo de ser acusado de ser o responsável pelo incumprimento do déficite de 2012.
Como keynesiano,não vejo como é que a austeridade pura e dura e depois de desmantelado o tecido produtivo relança a economia. Acho que os liberais também já estão com dificuldade de ver.
Como pessimista, estou convencido que a espiral recessiva vem aí. A espiral, porque a recessão já cá está.
Como cidadão que não tem experiência em futurologia, não sendo portanto licenciado na matéria, não vejo como é que se sai disto.
Como invejoso, invejo tanta gente com tantos saberes que nos apregoa hoje uma coisa, amanhã outra, e cada vez o fundo vai mais para baixo. Sim, porque quando batemos no fundo, o fundo desce.
01 julho 2012
Portugal pós-moderno
No Portugal pós-moderno quem falha os cálculos e objectivos é bom aluno; quem mente para ganhar eleições, depois, na pós-modernidade, apresenta-se como o paladino da credibilidade do pais; antigamente, explicava-se a estatística exemplificando se uma pessoa come um frango e outra come nenhum, em média come meio frango cada uma, no pós-moderno, se uns quantos dão um rombo de nove mil milhões de euros num banco, em média todos os portugueses estão a viver acima das suas possibilidades; antigamente, uma grávida dizia que estava grávida, não estava doente, hoje o subsídio de maternidade é reduzido para ser equiparado ao subsídio de doença; outrora, havia ministros, hoje, só há álvaros; no pós-moderno, enquanto o Estado assume as dívidas de baronetes da política, as famílias que devem a prestação da casa entregam-nas aos bancos; antes havia desempregados, hoje um milhão e duzentos mil oportunistas; na pós-modernidade, deve existir o espírito empreendedor, todos devemos fabricar bonequinhos de barro, patchworks e frasquinhos de compotas para vendermos uns aos outros; no pós-moderno, um governante não erra, é surpreendido pela realidade, nem, tão-pouco mente, tem lapsos; antes, havia um Presidente da República, hoje, um reformado de magra pensão.
Ontem, havia memória das coisas, no pós-moderno, apenas uma vaga ideia.
Ontem, havia memória das coisas, no pós-moderno, apenas uma vaga ideia.
26 junho 2012
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- Presidente da ERC: Carlos Magno, homem bom, apresentou-se no programa Quadratura do Circulo, qual Egas Moniz perante o Rei de Castela para expiar as falsidades do seu senhor D. Afonso Henriques. Sabedor das posições dos três participantes permanentes,António Costa, Lobo Xavier e Pacheco Pereira, de corda ao pescoço, disse puxai. Carlos Magno não contrapôs argumentos aos seus opositores, limitou-se a explicar como procedeu; se quisesse realçar que a sua posição não se confundia com subserviência ao governo bastaria repisar na frase do relatório, a comissão apurou factos ética e institucionalmente reprováveis da parte do ministro Miguel Relvas. Por menos, caíram Carlos Borrego e Manuel Pinho.
- Um ano de governo PSD-CDS: o governo assinalou a data com o regresso de Paulo Portas, tal como os clubes de futebol fazem com os reforços de inverno chamando jogadores emprestados a outras equipas.
- Execução orçamental: Não cumprida até à data, e com medidas de austeridade que extravasam o plano de resgate. Como pode a troika dar nota mais nas avaliações que faz? Só se for no ataque ao Estado Social, no desbaratar do erário público com privatizações apressadas, no aumento do desemprego que põe em causa a execução orçamental, na aprovação de uma lei de despedimentos facilitados. A prova oral do bom aluno deveria ser pública para se perceber o que é avaliado.
- Moção de censura do PCP: Quando um governo é suportado por uma maioria parlamentar o destino de uma moção de censura é o caixote do lixo. No entanto, não deixa de ser legítima a sua apresentação. Só que quem contesta o discurso da inevitabilidade não deveria tomar iniciativas que dão a ideia que é inevitável aguentarmos o actual governo.
- Europeu de Futebol: Portugal qualificou-se para a ronda seguinte. Independemtemente do desporto e do espectáculo, estes torneios adquirem o sabor das justas de cavalaria da Idade Media. Não é por acaso que é nos jogos que o povo canta o hino pátrio com maior fervor. Sem dúvida que a passagem à final seria um ânimo, mesmo que temporário, no deserto de boas notícias.
- Frase da semana: "Ficámos espantados com os níveis de desemprego", ministro das Finanças. Não acredito que pense tão lento quanto fala, pelo que julgo que o senhor ministro será mais dado a lapsos do que a falhas de perspicácia e de inteligência. São demasiados os erros de distracção para técnico tão competente.
- Livro da semana:O Sentido do Fim, de Julian Barnes.
- Um ano de governo PSD-CDS: o governo assinalou a data com o regresso de Paulo Portas, tal como os clubes de futebol fazem com os reforços de inverno chamando jogadores emprestados a outras equipas.
- Execução orçamental: Não cumprida até à data, e com medidas de austeridade que extravasam o plano de resgate. Como pode a troika dar nota mais nas avaliações que faz? Só se for no ataque ao Estado Social, no desbaratar do erário público com privatizações apressadas, no aumento do desemprego que põe em causa a execução orçamental, na aprovação de uma lei de despedimentos facilitados. A prova oral do bom aluno deveria ser pública para se perceber o que é avaliado.
- Moção de censura do PCP: Quando um governo é suportado por uma maioria parlamentar o destino de uma moção de censura é o caixote do lixo. No entanto, não deixa de ser legítima a sua apresentação. Só que quem contesta o discurso da inevitabilidade não deveria tomar iniciativas que dão a ideia que é inevitável aguentarmos o actual governo.
- Europeu de Futebol: Portugal qualificou-se para a ronda seguinte. Independemtemente do desporto e do espectáculo, estes torneios adquirem o sabor das justas de cavalaria da Idade Media. Não é por acaso que é nos jogos que o povo canta o hino pátrio com maior fervor. Sem dúvida que a passagem à final seria um ânimo, mesmo que temporário, no deserto de boas notícias.
- Frase da semana: "Ficámos espantados com os níveis de desemprego", ministro das Finanças. Não acredito que pense tão lento quanto fala, pelo que julgo que o senhor ministro será mais dado a lapsos do que a falhas de perspicácia e de inteligência. São demasiados os erros de distracção para técnico tão competente.
- Livro da semana:O Sentido do Fim, de Julian Barnes.
22 junho 2012
Alexandra Alpha, José Cardoso Pires, Publicações Dom Quixote
Alexandra Alpha é um dos bons romances portugueses do séc. XX que transpira todo o atrofiamento intelectual, político e ideológico em que Portugal vivia e que se atribuía à falta de liberdade, mas que o autor assaca também à incapacidade desta fauna em se libertar e libertar o País. Com dúvidas e crises existenciais as personagens principais, Alexandra, Maria, Sophia, e outros, nenhum deles pertence à classe dos explorados, frequentam o bas-fonds lisboeta, fazem sexo ocasional (o que já era uma grande libertação)e olham com olhar dolente a prisão em que estão metidos.
Em Alexandra Alpha não há trama dramática, nada de importante a contar, nada a descobrir, que não seja o quotidiano; nada mais do que historietas dispersas, ligadas e encadeadas apenas pela observação acutilantes dos tiques sociológicos passados a escrito pela narrativa portentosa do escritor. José Cardoso Pires faz-nos sorrir com situações trágicas, torna-nos melancólicos com situações risíveis; do parágrafo poético passa rápido à escrita realista e contundente; a realidade, a sua caricatura, e o fantástico convivem num estilo narrativo fluente.
A ler ou a reler (o que foi o caso).
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