10 fevereiro 2013

AVENTURAS NA NET

Os meus amigos tecnológicos afirmam tenho de aparecer em mais canais do espaço virtual; incitam-me com exemplos de grandes sucessos (não referem os fracassos). Por curiosidade, para ver como funcionam as coisas, criei um site. Vejam se vos interessa: http://carlosmachadobooks.wix.com/bookontheway

05 fevereiro 2013

VISAO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Guerra meio-fechada no PS: O estado de "guerra" pela liderança no PS durou duas semanas e não chegou verdadeiramente a declarar-se. Mas se não se abriu, também não se fechou totalmente, porque:
- António José Seguro eventualmente não terá cedido à oposição interna;
- António Costa eventualmente não terá desistido de ser candidato a Secretário-Geral;
- o Partido Socialista não é ainda eventualmente um partido preparado para governar.
E face ao último porquê, a guerra pode estalar a qualquer momento.

- Franquelim I: Viveu no séc. XVIII um Franklin que se celebrizou, entre outras coisas, por, em dias de tempestade, lançar papagaios para atrair raios e coriscos. Não se tratava de actividade lúdica, mas de experiência para inventar o pára-raios. E se tal elemento está inventado e melhorado, não havia necessidade de se escolher outro Franquelim para Secretário de Estado a atrair faíscas sobre o próprio e sobre o Primeiro-Ministro. O gestor não esta indiciado por nenhum crime, pode portanto ser secretario de Estado. Só que, tendo sido, em época conturbada", administrador do BPN, caso que está longe de estar totalmente desvendado, seria de bom-tom, já para não falar de ética, que se evitasse que durante um "período de nojo" houvesse algum recato em chamar a funções públicas elementos envolvidos na gestão da SLN/BPN. E Passos Coelho, Franquelim Alves e Santos Pereira estavam disso cientes. Não queiram convencer os portugueses que o inicial apagamento do currículo da passagem de Franquelim Alves pelo BPN foi inocente.

- Franquelim II: O Ministro Álvaro Santos Pereira afirmou-se como o responsável pela escolha de Franquelim Alves e designou de baixa política todas as atoardas, no dizer do ministro, que se levantaram sobre essa a nomeação do Secretário de Estado. O senhor Ministro não fará baixa política, faz fraca, medíocre política, porque tanto quanto se saiba o que foi dito não foge à verdade, e o senhor ministro, talvez a mando do senhor Primeiro-Ministro, não fez a escolha política acertada.

- Frase da semana: "O que referem sobre mim e sobre os meus companheiros, não está correcto. A não ser alguma coisa, que é o que referem alguns meios de comunicação social". Mariano Rajoy, Primeiro-Ministro espanhol, sobre o caso de recebimentos indevidos. Não é a frase da semana, é a frase do ano. A frase, que abala mercados, bolsas, dívidas soberanas de Espanha e de outros países, é lapidar, pois o PM espanhol consegue candidamente afirmar o que é e o seu contrário. Deveria constituir cábula para todos os políticos metidos em trapalhadas, embrulhadas e opacidades.

- Livro da semana: "Diálogos", de Platão. E um,entre muitos, a merecer leitura e reflexão: "A República".

01 fevereiro 2013

DE QUE LADO ESTÁ O VENTO?

A falta de comparência a jogo de António Costa não se transforma numa vitória de António José Seguro, mas numa vitória de Pedro Passos Coelho. O Presidente da Câmara de Lisboa neste seu faz-de-conta-que-vai-mas-não-vai, deu a entender que não era a altura certa de afrontar Seguro, porque não existe a certeza de uma retumbante reviravolta em eleições legislativas, antecipadas ou não.

Passos Coelho é impreparado, é; Vítor Gaspar é ideologicamente alienado, é; Paulo Portas, é cristamente conciliador entre antigas posições do CDS-PP e novas necessidade do seu partido, é; Cavaco Silva é constitucionalmente ausente, é. Tudo isto, é, mas o PS não descola e quanto mais correr o tempo mais difícil se torna a descolagem. E precisamente o que faz com que não exista vaga de fundo no país em volta do PS é a oposição cinzentona do actual Secretário-Geral do Partido Socialista. É caricato, mas o que mantém António José Seguro na liderança do PS não é o ser um lídere da oposição forte, mas o facto de com a sua actuação queimar todos as vontades de lhe disputarem o lugar.

Contudo, António Costa pode ter jogado um trunfo, não ainda para ganhar, mas para destrunfar. É rebuscado, contudo pode ser assim: se se apresentasse como candidato-"surpresa" na reunião da passada terça-feira, seria apenas uma manifestação de desejo de poder, o que poderia cair mal nas hostes partidárias; depois de afirmar que tomará outra atitude se Seguro não unir o partido, o que ninguém sabe exactamente o que significa (colocação de pedras da oposição interna em lugares-chave?), poderá lançar o ónus sobre o actual Secretário-Geral.

Deste caso fica para estudo e para os manuais da Política e da Sociologia que numa ocasião em que a esmagadora maioria de um povo está contra um governo, em que pela primeira vez nos últimos quarenta anos "somos nós contra eles", não sobressaia uma força agregadora de toda esta vontade de mudança.

29 janeiro 2013

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Regresso ao mercado...de capitais : incontornável este tema. Se não é uma grande vitória financeira e muito menos económica para o país é uma enorme vitória política para Gaspar e Passos (até Paulo Portas, embora não totalmente, fica de fora). Podem todos os políticos, comentadores, opinadores, uns melhor, outros pior, desvalorizar, contextualizar a operação que este "golo" do governo já ninguém o anula. E teve, ainda, o efeito de fazer passar despercebido mais um incumprimento das determinações do governo - o negociar mais tempo para pagamento do empréstimo -, aquilo que disse que nunca faria, pois significaria pagar mais juros.

- Privatização da RTP: Miguel Relvas não tem poder nem para privatizar um quiosque, dito pelo jornalista Joaquim Vieira, poderia ser a frase da semana, mais porque soa bem, do que pelo verdadeiro conteúdo. Miguel Relvas mantém intacto o seu poder de "manobrismo", o que ele não tem é o poder de manobrar a opinião pública como pretendia fazer porque carece de credibilidade. Miguel Relvas não será remodelado, ele é uma aposta de Passos Coelho, tal e qual a austeridade custe o que custar, ou o regresso aos mercados.

- Candidatos autárquicos: O CDS-PP sempre muito apressado (verbalmente) em moralizar, tem posto de parte alguns pruridos no que respeita à escolha de candidatos às autarquias: em Lisboa, apoia o candidato Seara, impossibilitado de concorrer em Sintra. Moralizar o sistema político,qual é a pressa?

- Protesto sobre a EDP: Há mais de uma semana que é impraticável entrar em contacto com a EDP: no balcão da Loja do cidadão a espera é interminável; pelo telefone, é infindável repetição da gravação; dizem que se quisermos telefonam de volta, nada; porque é mais cómodo, anunciam eles, pedido de informação pela internet, respondem que o pedido foi registado e têm até quinze dias úteis para responder (mas a intimação de um pagamento indevido é menos de uma semana contando com os dias inúteis). A prova que com as rendas, protecção governativa dos aumentos dos tarifários, a gestão privada é sempre melhor do que a pública.

- Frase da semana: Qual é a pressa?, de António José Seguro perante as instâncias de opositores internos do seu partido. A pressa é nenhuma, e tanto não há pressa que o Secretario-Geral do PS convocou uma reunião de urgência da Comissão Política Nacional para hoje. António José Seguro demonstrou falta de habilidade a lidar, não com a pressa, mas com a pressão. Se há semanas que correm mal, esta foi uma delas para o lídere do PS.

21 janeiro 2013

POR QUE NÃO DEVE O PS PEDIR ELEIÇÕES

Existem mais do que razões para "despedir" o actual governo e, caso o "despedimento com justa causa" venha a ocorrer, a solução deverá passar por eleições e nunca por putativos governos com designações tipo de salvação nacional, de iniciativa presidencial, cujo o efeito é a prossecução de medidas não sufragadas pelo povo. E se por qualquer motivo o cenário de eleições se vier a colocar não há que ter medo da democracia por muito que possam agitar os espantalhos da crise, da credibilidade junto dos credores, da confiança dos mercados.

Se o que acima se diz é verdade, onde é que não colam as declarações dos mais altos responsáveis do Partido Socialista quanto há disponibilidade do partido para disputa eleitoral e capacidade para governar com o título desta crónica?

Atentemos apenas em alguns factos com menos de um mês de ocorrência: O envio de alguns pontos do OE 2013 para o Tribunal Constitucional; a desastrada mensagem de Passos Coelho (uma entre todas) de fim de ano; o "estudo" do FMI; a conferência da sociedade civil para debater a reforma do Estado. Estes acontecimentos que pela lógica , em cima da brutais cargas de impostos de 2012 e para 2013, teriam o efeito de estilhaçar o que restava do governo, parecem não passar de factos anedóticos e fica-se com a sensação de que o cenário de queda do governo já esteve mais perto do que aquilo que está. Até já Miguel Relvas volta a falar.

António José Seguro não está consciente desta recuperação de fôlego do governo, ou considera-a como melhoras da morte, e por isso declara-se pronto para governar. Mas o Secretário-Geral do PS(que já desbaratara um ano para criar empatia com os portugueses) não soube aproveitar o que Passos Coelho lhe entregou de bandeja no último mês: o poder afirmar-se como alternativa credível, sem referir moções de censura e eleições, o difundir ideias mobilizadoras e apresentar em definitivo uma ideia de Portugal de Futuro (não confundir com propostas avulsas que efectivamente tem apresentado, ao contrário do que querem fazer crer).

Em política (e não só), o que parece, é, e parece que António José Seguro joga na forte possibilidade de queda do governo num de dois momentos: chumbo por inconstitucionalidade das normas do OE 2013 ou derrota do PSD nas autárquicas. Só que o governo não se demite em qualquer dos casos. No primeiro, afirmar-se-á como não culpado e o ónus de mais confisco fiscal será passado ao TC; no segundo, relegará a derrota para segundo plano e não tirará daí nenhumas consequências porque em Setembro os mercados e os juros baixos avalizarão a política do governo (daí a insistência do discurso nos mercados).

Mas as razões pelas quais António José seguro não deve pedir eleições não se prende com taticismos políticos, mas com o simples facto, que a ser apresentado de início reduziria drasticamente a crónica: por que ainda não mostrou um plano para Portugal. É sintomático o que o Secretário-Geral do PS ofereceu ontem aos portugueses, em vez de um rumo, que os portugueses ficarão surpreendidos(agradavelmente, deduz-se) com o elenco governativo.

04 janeiro 2013

Cavaco Silva vs Vitor Gaspar

Cavaco Silva sempre foi previsível - não é defeito e daí também não vem mal nenhum ao Mundo - nas suas decisões e actuações (exceptuando o caso dos Açores). E como se previa o Orçamento de 2013 foi promulgado e enviado ao Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva, com fortes dúvidas em algumas normas e que, porventura, nem sequer são dele porque baseadas em pareceres de reputados peritos na matéria.

E como Cavaco é previsível, sabe-se que não retirará quaisquer consequências de alguma inconstitucionalidade, como não retirou do rol de desgraças imputáveis ao governo e que elencou na mensagem de Ano Novo. Lavará daí as mãos e deixará com o Tribunal o ónus da causa de eventual chumbo com o consequente agravamento dos sacrifícios dos portugueses. Cavaco Silva espera nada ter de fazer acreditando que o Tribunal Constitucional arranjará maneira de minorar a eventual ilegalidade (a exemplo de 2012), ou caso assim não seja, dirá (se disser) que o recurso a eleições seria mergulhar o país em instabilidade - como se ela não existisse já -, com consequente perda de credibilidade junto dos credores e dos mercados, e quererá que se conclua que sempre é "melhor" ter um governo relapso, péssimo, insensível, do que fazer prevalecer o primado da política sobre a economia e fazer funcionar a democracia.

Mas se Cavaco Silva é previsível, o mesmo não se passa com a sua capacidade de previsão sobre as atitudes dos outros, que é bastante fraca. E ontem foi de certeza apanhado de surpresa com o real número 1 do governo, o ministro Vitor Gaspar, a responder à mensagem de Ano Novo, a dizer ao Presidente que ele estava errado.

Todos sabem que é ministro das Finanças quem manda no governo, mas é no mínimo deselegante que Passos Coelho tenha admitido que aquele a quem chamou número 2 tenha feito aquela cena; se Passos Coelho embarcou nesta táctica para se resguardar nas afrontas ao Presidente da República saiu-se mal porque perdeu toda a autoridade perante o país, perante as instituições e perante o parceiro de coligação (oposição parlamentar deveria exigir que no próximo debate quinzenal na Assembleia da República, fosse Vitor Gaspar o principal interveniente da bancada do governo).

Mas aqui reside, possivelmente, a faísca capaz de tornar 2013 no ano em que o Presidente despede Passos Coelho, et pour cause Vitor Gaspar. Se há coisa que Cavaco Silva não suporta é que ponham em causa a sua sabedoria e certezas económico-financeiras. Se Vitor Gaspar voltar a falhar as previsões e as receitas para a economia, Cavaco Silva poderá estar disposto a acertar contas com ele.

24 dezembro 2012

O ECONOMISTA DA ONU, "PODE ALGUÉM SER QUEM NÃO É?"

Como muitas vezes acontece, a fila para adquirir bilhetes para assistir ao concerto de um violista famoso,no Licoln Centre, em Nova York, era longa e demorada. Um homem mal-vestido, ar pouco lavado, assentou a sua banca junto da fila; colocou a boina para recolha de fundos; pôs-se a tocar violino. A fila seguiu lenta com pouca atenção dos presentes à música do provável músico de metro e poucos lhe davam algumas moedas. O violinista de circunstância era, nem mais nem menos, o prodigioso músico para cujo espectáculo as pessoas estavam dispostas a gastar horas para aquisição de um ingresso.

É por demais conhecida esta faceta da predisposição do ser humano para escutar mais as roupagens do que a substância das coisas.

E tudo isto a propósito da recente burla de um presumível economista da ONU entrevistado por rádios e televisões de referência, sobre a crise portuguesa. Não parecem ter sido totalmente descabidas as declarações do senhor "economista" e pecam apenas por não serem verdadeiras as credenciais com que se apresentava e não serem fundadas em qualquer análise da ONU.

A história em si não tem nada de extraordinário, é tão somente uma "peta" engraçada que se socorre de todas as técnicas na arte do engano. Apenas três conclusões:

1 - O que o "economista" disse poderia ter sido dito por milhares de outros cidadãos anónimos que não são convidados e escutados pelos media por que não vestem outras vestes que não a de anónimos (o que não significa que não sejam conhecedores);

2 - Os comentadores, colunistas, opinadores, sempre os mesmos sobre todo e qualquer assunto, são muitas das vezes menos verdadeiros nas suas afirmações, que se supõem fundadas e fundamentadas, do que as do dito "economista" ou das que qualquer dos anónimos cidadãos produziria.

3 - A performance do "economista" é tanto mais possível, quanto mais os cidadãos cederem o "espaço público" ao "espaço da comunicação social", que vai atrás de fogos fátuos e gira em redor de vacas sagradas. A sociedade civil, mais conhecida como povo, tem um "espaço", que é seu por direito próprio, e que tem de utilizar. Quando todos formos escutados, o burlão desaparece pois não precisa de se mascarar para ser ouvido.

(Atenção, brevemente poderá aparecer nas nossas televisões, em mensagem de Ano Novo, alguém "vestido" a fazer de Presidente da República).