O Eng Jose Sócrates escorregou, a arma disparou-se e deu um tiro no pé. Não se conteve e encurtou o período de nojo de afastamento da política interna do país, que se desejava, para bem do próprio, mais prolongado. Deu o dito tiro numa sessão com alunos de uma faculdade ao pronunciar-se sobre dívidas e déficites (não são a mesma coisa), de como se pagam e não se paga, de infantilidades e de como teria estudado todas estas matérias. E atingiu o seu pé e atingiu-nos a todos porque os defensores da política Dr. Passos Coelho/Dr. Miguel Relvas/Eng. Ângelo Correia, assim como muitos comentadores que tinham metido a viola no saco, receberam um balão de oxigénio.
Propositadamente deixei acalmar a sanha anti-socrática e a reacção defensiva para explanar a minha leitura das declarações da "desgraça". Inclusivamente o Eng. José Sócrates já veio aclarar que nunca pretendeu dizer que Portugal não devia pagar a dívida. E se teve que voltar à liça para esclarecimentos é por que o que foi dito, por si só, não tornava evidente o pensamento do Eng. José Sócrates e muito menos vai a tempo de emendar a mão porque o vídeo pulula nas redes sociais e sem trazer anexado o posterior esclarecimento.
O que uma noite bem dormida sobre as resoluções de uma Cimeira Europeia, comandado a toque de caixa pela Alemanha (já nem digo Sr.ª Merkel), mostra à saciedade a causa das coisas e que o pecado do Eng.José Sócrates foi ter-se deixado embalar na sua governação pela sereia da dívida virtuosa cantada pelos mercados e pelos Estados com poderosos sistemas financeiros que alimentam essas dívidas dos países com economias mais débeis. Os países, todos, não apenas os mais pequenos, foram aliciados pelos sistemas de crédito fácil e barato para gastarem em obras de regime (tecnologia importada da Alemanha, França, etc) e depois apareceram os credores a dizerem que só emprestam mais dinheiro se os juros forem temperados com cicuta. O Eng. José Sócrates pode não ter estudado o que disse em Universidades de renome, mas que o "endivida-te, e viverás melhor" era apregoado em fóruns internacionais pelos mais acérrimos defensores do liberalismo, era.
A quem interessa que pessoas, famílias, empresas e Estados se endividem? A resposta é ao sistema que é apologista do maior número possível de transacções num mercado gerido pela lei da oferta e da procura. E como se consegue que todos tenham sempre dinheiro disponível para aumentarem consecutiva e exponencialmente o número de transacções? os Estados, como as pessoas, só podem oferecer se tiverem dinheiro. Se não têm dinheiro próprio, empresta-se.
O que é que se faz a um jogador de póquer que está a perder tudo? Expulsa-se da mesa? Não, emprestasse-lhe mais dinheiro - aprende-se na "universidade" dos filmes americanos. Depois, em casos extremos, cobra-se coercivamente.
O Eng. José Sócrates, nas declarações proferidas, freudianamente, confessou o seu pecado: pensou que poderia ser comandado pela política e economia neoliberais enquanto precisava, depois cortava as amarras.
O Eng. José Sócrates foi, na ocasião o instrumento, mas os verdadeiros culpados da situação de Portugal estão a montante.
O erro do Dr. Passos Coelho é que pensa que por dizer "eu sou dos vossos" tem uma maior complacência por parte do sistema neoliberal. Aliás é bem notório como a Chanceler Merkel e o Presidente Sarkozy têm um pensamento alinhado com Massamá e estranha-se que não existam task-forces, reuniões, delegações, o que quer que seja, de Portugal, Grécia, Irlanda, Itália (e outros países se juntarão)para ter posições concertadas no seio da União Europeia e nos mercados internacionais.
10 dezembro 2011
06 dezembro 2011
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- Entrevista do Primeiro-Ministro à SIC (30 Nov.)- É muito grave quando, na situação actual, a única coisa de substância que o PM de Portugal tenha dito numa entrevista seja que admite a possibilidade de confiscar os subsídios de férias e de Natal aos trabalhadores da actividade privada, tendo-se recusado a fazê-lo poucos dias antes num local bem mais adequado: o Parlamento Significa que não controla a situação, e não controla porque como todos os outros líderes da União Europeia abdicou de salvar quem precisa ser salvo: o povo, não os Bancos.
- O Fundo de Pensões da Banca "dá" dois mil milhões ao Orçamento deste ano - Sem esquecer que esta passagem dos Fundos privados para o Estado não passa de um balão de oxigénio, porque no futuro, estes trabalhadores terão de ser pagos pela Segurança Social, o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças mentiram ao país. E mentiram porque quiseram, porque poderiam ter dito que era sua opção política aplicar este dinheiro no relançamento da economia em vez de poupar um corte no subsídio de Natal dos portugueses. Era contestável, assim é condenável.
- O maior fosso entre ricos e pobres do últimos trinta anos (5 Dez.) - A OCDE,num estudo para 34 países, revelou que os dez por cento mais ricos da população se tornaram ainda mais ricos e que "A desigualdade em Portugal mantém-se assim entre as mais elevadas deste grupo, na sexta posição quando considerada a diferença entre os rendimentos dos 20% mais ricos e os dos 20% mais pobres, que é de 6,1 vezes – face a 5,4 vezes para o conjunto dos seus 34 membros". É bem verdade que vivemos acima das nossas possibilidades, o fosso ainda não é demasiado grande.
- Livro da Semana - "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, recomendado a todos os portugueses para que quando o único feriado que restar para cortar seja o 10 de Junho, possamos gritar bem alto e de cor a gesta lusitana
- O Fundo de Pensões da Banca "dá" dois mil milhões ao Orçamento deste ano - Sem esquecer que esta passagem dos Fundos privados para o Estado não passa de um balão de oxigénio, porque no futuro, estes trabalhadores terão de ser pagos pela Segurança Social, o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças mentiram ao país. E mentiram porque quiseram, porque poderiam ter dito que era sua opção política aplicar este dinheiro no relançamento da economia em vez de poupar um corte no subsídio de Natal dos portugueses. Era contestável, assim é condenável.
- O maior fosso entre ricos e pobres do últimos trinta anos (5 Dez.) - A OCDE,num estudo para 34 países, revelou que os dez por cento mais ricos da população se tornaram ainda mais ricos e que "A desigualdade em Portugal mantém-se assim entre as mais elevadas deste grupo, na sexta posição quando considerada a diferença entre os rendimentos dos 20% mais ricos e os dos 20% mais pobres, que é de 6,1 vezes – face a 5,4 vezes para o conjunto dos seus 34 membros". É bem verdade que vivemos acima das nossas possibilidades, o fosso ainda não é demasiado grande.
- Livro da Semana - "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, recomendado a todos os portugueses para que quando o único feriado que restar para cortar seja o 10 de Junho, possamos gritar bem alto e de cor a gesta lusitana
04 dezembro 2011
A POLÍTICA DE TRANSPORTES E DE AMBIENTE
Ontem estava um bonito dia de outono e um passeio pelo Chiado é sempre um programa apetecível. Associei-me à minha mulher e fomos os dois para a Baixa de Lisboa. De carro. De carro, sim, de carro.
Moro numa zona em que preciso de tomar dois transportes, ou uma longa caminhada a pé e o Metro, para ir até ao centro da cidade. Caso optasse pela segunda hipótese, visto não irmos, e muito menos pensarmos em vir, carregados com qualquer embrulho, pequeno que fosse, o custo total da deslocação seria de 4,20 euros. O parqueamento custou, por duas horas, em "zona nobre de parquímetros" (a mais cara) 3,2 euros ao que acresce custo do combustível, manutenção e desgaste do veículo. Só que tive transporte de porta a porta.
É este o modo de incentivar a procura de transportes públicos, aliviar o stress do tráfego automóvel sobre a cidade e diminuir a poluição?
29 novembro 2011
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- Greve Geral - Antes, durante e principalmente depois, declarou-se não se saber para que servia a greve geral. A greve serviu sobretudo ao governo para avaliar a pulsão social e grau de contestação às políticas implementadas e a implementar. E o governo tem razões de sobra para estar satisfeito porque quanto mais pessoas fizerem greve enquadradas pelas moderadas centrais sindicais portuguesas, mais está a salvo de uma eventual contestação social destrutiva, como a da Grécia.
Tomara o governo que, até ao fim da legislatura, as greves tivessem uma elevada adesão e os grevistas se manifestassem num clima ordeiro como no passado dia 24 de Novembro. O governo deveria decretar como obrigatória a realização de uma greve sempre que haja novas medidas de penalização dos portugueses.
- Merkel e Sarkozy - Esta foi a semana do primeiro arrufo público entre os chefes máximos da Alemanha e da França. Do condenados a viverem juntos para sempre, passaram ao vamos ver quem cai primeiro. E os europeus, numa espécie de deleite suicida, aguardam a queda das duas potências (?) para dizerem: é bem feito. E era bem feito, se não fosse tão mal feito.
- O outono árabe - Embandeirou o Ocidente em arco com as primaveras árabes no Egipto, Líbia, Tunísia, e continua a esperar com ansiedade pela Síria, Iemen e sobretudo pela Arábia Saudita. Sabe-se, no entanto, que a qualquer primavera se sucedem outras estações, cada uma com os seus encantos próprios, mas também com as suas agruras, e que as mais rigorosas são o outono e o inverno.
No Egipto, o outono está a chegar. E com este outono, como vê o Ocidente daqui para a frente a implementação da democracia neste e noutros países muçulmanos? A minha resposta é: não sabe.
O Ocidente habituou-se a exportar bens e serviços, ideologias e religiões, para zonas do mundo diferentes da sua numa tentativa de homogeneizar o Globo à sua imagem e semelhança. Chineses, indianos, angolanos, brasileiros já estão a exportar os seus bens e serviços para o Ocidente e a comprarem o seu tecido produtivo. E se eles caem na tentação de exportar as suas ideologias e religiões? Vai o Ocidente dizer que está ameaçado?
- Frase da semana: "o grau de adesão à greve na Administração Central às 11:00 é de 3,6%". O senhor Ministro Miguel Relvas deve ter-se encadeado com a sua grande capacidade de fazer sit-down (fez as declarações sentado) comedy e levou ao extremo uma rábula levada à cena por outros governos. Desta vez a preformance foi exímia.
- Livro da semana - "Figuras, Figurantes e Figurões", de Luiz Pacheco, recomendado a uns quantos personagens que por aí andam. Vocês sabem o que eu quero dizer, parafraseando o comentador futebolístico Octávio Machado.
Tomara o governo que, até ao fim da legislatura, as greves tivessem uma elevada adesão e os grevistas se manifestassem num clima ordeiro como no passado dia 24 de Novembro. O governo deveria decretar como obrigatória a realização de uma greve sempre que haja novas medidas de penalização dos portugueses.
- Merkel e Sarkozy - Esta foi a semana do primeiro arrufo público entre os chefes máximos da Alemanha e da França. Do condenados a viverem juntos para sempre, passaram ao vamos ver quem cai primeiro. E os europeus, numa espécie de deleite suicida, aguardam a queda das duas potências (?) para dizerem: é bem feito. E era bem feito, se não fosse tão mal feito.
- O outono árabe - Embandeirou o Ocidente em arco com as primaveras árabes no Egipto, Líbia, Tunísia, e continua a esperar com ansiedade pela Síria, Iemen e sobretudo pela Arábia Saudita. Sabe-se, no entanto, que a qualquer primavera se sucedem outras estações, cada uma com os seus encantos próprios, mas também com as suas agruras, e que as mais rigorosas são o outono e o inverno.
No Egipto, o outono está a chegar. E com este outono, como vê o Ocidente daqui para a frente a implementação da democracia neste e noutros países muçulmanos? A minha resposta é: não sabe.
O Ocidente habituou-se a exportar bens e serviços, ideologias e religiões, para zonas do mundo diferentes da sua numa tentativa de homogeneizar o Globo à sua imagem e semelhança. Chineses, indianos, angolanos, brasileiros já estão a exportar os seus bens e serviços para o Ocidente e a comprarem o seu tecido produtivo. E se eles caem na tentação de exportar as suas ideologias e religiões? Vai o Ocidente dizer que está ameaçado?
- Frase da semana: "o grau de adesão à greve na Administração Central às 11:00 é de 3,6%". O senhor Ministro Miguel Relvas deve ter-se encadeado com a sua grande capacidade de fazer sit-down (fez as declarações sentado) comedy e levou ao extremo uma rábula levada à cena por outros governos. Desta vez a preformance foi exímia.
- Livro da semana - "Figuras, Figurantes e Figurões", de Luiz Pacheco, recomendado a uns quantos personagens que por aí andam. Vocês sabem o que eu quero dizer, parafraseando o comentador futebolístico Octávio Machado.
27 novembro 2011
Two rooms with view(s), Dois espaços com vistas.
Duas exposições de pintura (de arte) no mesmo dia. Duas experiências sensoriais completamente distintas. A primeira, A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa, na Gulbenkian, num ambiente recatado, luz ambiente calma com os focos a realçarem os quadros, a dizer que estamos num museu; na segunda, ARTE LISBOA, na FIL, onde as peças tomam realce contra o fundo branco das paredes, numa atmosfera asséptica, vigorosa, de (a) ferir a vista, em pavilhões de galerias de arte destinadas ao comércio.
A realização destas duas exposições tem fins completamente distintos e os artistas que pontuam em cada uma delas são de gabaritos distintos. Não são pois comparáveis. No entanto, foram duas experiências sensoriais completamente distintas que se confrontaram e complementaram devido à proximidade temporal em que foram efectuadas as visitas (para quem estiver interessado em fazer a mesma experiência só tem o dia 27 de Novembro, porque a ARTE LISBOA encerra neste dia).
As naturezas-mortas tradicionais começam por ser cópias fiéis de peças de caça, frutos, facas, flores sobre toalhas, para evoluírem com, e através do expressionismo, impressionismo, cubismo, surrealismo...até regressarmos ao princípio, do outro lado da cidade, com o hiper-realismo que é o cunho de uma corrente da Arte Contemporâneo com alguns exemplares na ARTE LISBOA. Não há (não vi) quaisquer comestíveis nas peças de Arte Contemporânea, mas estão reproduzidos os consumíveis - automóveis polidos a reflectirem prédios espelhados, mobiliário urbano, estradas -, existem peças executadas com filtros de cigarros fumados (beatas).
Em qualquer das exibições, faltou-me a muleta do conhecimento e dei mais uma vez conta de que a arte tem de ser ensinada e explicada, para nos deixarmos do eu não percebo, gosto, ou não gosto, que nos escuda numa ignorância preguiçosa e que nos impede de fruirmos a arte.
Quando se visita um museu numa capital europeia, encontram-se grupos de miúdos deitados pelo chão a copiarem quadros e a tirarem apontamentos, a cochicharem ou a falarem num tom de voz que dá conta de que andam pardais à solta (o que não considero condenável). No tempo em que visitei qualquer das exposições não vi ninguém a ensinar arte às crianças. Não havia crianças.
Em Portugal, o dinheiro do Orçamento de Estado para a Cultura, e nomeadamente para a Arte, é sempre visto (porventura com razão) sementeira deitada à terra sem retorno. Esta visão está muito implantada porque a produção artística não desenvolve consumidores que a paguem sem recurso a subsídios. Pudera, não existe formação, desde as mais tenras idades, de consumidores.
A realização destas duas exposições tem fins completamente distintos e os artistas que pontuam em cada uma delas são de gabaritos distintos. Não são pois comparáveis. No entanto, foram duas experiências sensoriais completamente distintas que se confrontaram e complementaram devido à proximidade temporal em que foram efectuadas as visitas (para quem estiver interessado em fazer a mesma experiência só tem o dia 27 de Novembro, porque a ARTE LISBOA encerra neste dia).
As naturezas-mortas tradicionais começam por ser cópias fiéis de peças de caça, frutos, facas, flores sobre toalhas, para evoluírem com, e através do expressionismo, impressionismo, cubismo, surrealismo...até regressarmos ao princípio, do outro lado da cidade, com o hiper-realismo que é o cunho de uma corrente da Arte Contemporâneo com alguns exemplares na ARTE LISBOA. Não há (não vi) quaisquer comestíveis nas peças de Arte Contemporânea, mas estão reproduzidos os consumíveis - automóveis polidos a reflectirem prédios espelhados, mobiliário urbano, estradas -, existem peças executadas com filtros de cigarros fumados (beatas).
Em qualquer das exibições, faltou-me a muleta do conhecimento e dei mais uma vez conta de que a arte tem de ser ensinada e explicada, para nos deixarmos do eu não percebo, gosto, ou não gosto, que nos escuda numa ignorância preguiçosa e que nos impede de fruirmos a arte.
Quando se visita um museu numa capital europeia, encontram-se grupos de miúdos deitados pelo chão a copiarem quadros e a tirarem apontamentos, a cochicharem ou a falarem num tom de voz que dá conta de que andam pardais à solta (o que não considero condenável). No tempo em que visitei qualquer das exposições não vi ninguém a ensinar arte às crianças. Não havia crianças.
Em Portugal, o dinheiro do Orçamento de Estado para a Cultura, e nomeadamente para a Arte, é sempre visto (porventura com razão) sementeira deitada à terra sem retorno. Esta visão está muito implantada porque a produção artística não desenvolve consumidores que a paguem sem recurso a subsídios. Pudera, não existe formação, desde as mais tenras idades, de consumidores.
22 novembro 2011
VISAO DA ACTUALIADADE A SEMANA
- Relatório sob serviço publico de televisão - Ao ler o relatório e ao ouvir as declarações do Prof. João Duque - vale aquele dito antigo não vás sapateiro além da chinela - é o assombro total. Se os doutos membros da Comissão são competentes nas suas áreas de formação (o que já se pode duvidar perante a aberração que deram à luz) demonstraram uma inqualificável inépcia, mais que não seja, para produzirem relatórios. Espante-se perante as afirmações do Dr. João Duque, um professor licenciado pelo ISEG, que diz que os telespectadores preferem as "notícias" das estações privadas em detrimento das da estação pública porque, embora a RTP seja a primeira em audiências, a sua percentagem é inferior ao somatório de todas as outras (por favor, alguém que ensine que em estatística não há "vencedores por equipas").
Diz-se que o Ministro Miguel Relvas, ao fazer a "encomenda", já antevia a peça que ia sair dali, para depois apresentar a sua solução salvífica para o Serviço Público. E demasiado maquiavélico, ou demasiado rélvico. Acho que se limitou a aproveitar a "ciência" residente e disponível nos meios liberais.
- A ré Fofinha - O Conslho Superior da Magistratura (CSM) puniu (com aposentação compulsiva) um juíz por tratar uma ré por "fofinha" e por atrasar os processos. Voltou o CSM atrás com a decisão quando soube que "fofinha" era o nome de uma empresa de tecelagem e fiação da Covilhã. Mais um caso que leva a perguntar: que espécie de investigação foi feita à prestação do juiz no âmbito das suas funções? Então o magistrado não teve direito a defender-se antes de lhe serem aplicada a pena? Se até com os próprios se comportam deste modo...
- Demissão de Director do Teatro Nacional D. Naria II - Diogo Infante, Director do TNDMII ameaçou suspender a programação de 2012 caso os cortes de verba para o Teatro fossem por diante. Não conheço o trabalho de Diogo Infante à frente da programação do Teatro, nem está aqui em causa a avaliação das suas competências artísticas para a função, mas o que Diogo Infante fez foi dizer ao Secretário de Estado da Cultura: obviamente, demita-me. Obviamente, foi demitido. O Secretário de Estado não podia ter outra atitude.
Se Diogo Infante pretendia com o seu gesto chamar à atenção para a sua discordância com a política de cultura, foi sem dúvida um gesto nobre, mas já até o Dalai Lama condena a imolação pelo fogo por ser totalmente inconsequente. O que Diogo Infante conseguiu foi salvar a semana do Secretário de Estado ao dar-lhe oportunidade de aplicar as boas regras de gestão ao demiti-lo perante as circunstâncias.
- Frase da semana - "fraude na saúde de 8% é aceitável", proferida pelo Secretário de Estado da Saúde. Gostaria que considerem-se razoável uma fraude no meu IRS, IMI, Taxas de esgotos, taxas de direitos de passagem, IVA, no mesmo valor.
- Livro da semana - Deixem Falar as Pedras, de David Machado. Uma extraordinária viagem de um rapaz pelo passado do avô onde a percepção do mundo, a realidade (?), confrontam o protagonista com a linha de separação entre o verdadeiro e o falso e de que maneira e com que frequência (eventualmente) se confundem. Neste momento conturbado do Mundo, livro recomendado a todos para pôr-mos em causa todas as nossas certezas e todos aqueles que nos apresentam inevitabilidades (que à sua maneira, são certezas).
Diz-se que o Ministro Miguel Relvas, ao fazer a "encomenda", já antevia a peça que ia sair dali, para depois apresentar a sua solução salvífica para o Serviço Público. E demasiado maquiavélico, ou demasiado rélvico. Acho que se limitou a aproveitar a "ciência" residente e disponível nos meios liberais.
- A ré Fofinha - O Conslho Superior da Magistratura (CSM) puniu (com aposentação compulsiva) um juíz por tratar uma ré por "fofinha" e por atrasar os processos. Voltou o CSM atrás com a decisão quando soube que "fofinha" era o nome de uma empresa de tecelagem e fiação da Covilhã. Mais um caso que leva a perguntar: que espécie de investigação foi feita à prestação do juiz no âmbito das suas funções? Então o magistrado não teve direito a defender-se antes de lhe serem aplicada a pena? Se até com os próprios se comportam deste modo...
- Demissão de Director do Teatro Nacional D. Naria II - Diogo Infante, Director do TNDMII ameaçou suspender a programação de 2012 caso os cortes de verba para o Teatro fossem por diante. Não conheço o trabalho de Diogo Infante à frente da programação do Teatro, nem está aqui em causa a avaliação das suas competências artísticas para a função, mas o que Diogo Infante fez foi dizer ao Secretário de Estado da Cultura: obviamente, demita-me. Obviamente, foi demitido. O Secretário de Estado não podia ter outra atitude.
Se Diogo Infante pretendia com o seu gesto chamar à atenção para a sua discordância com a política de cultura, foi sem dúvida um gesto nobre, mas já até o Dalai Lama condena a imolação pelo fogo por ser totalmente inconsequente. O que Diogo Infante conseguiu foi salvar a semana do Secretário de Estado ao dar-lhe oportunidade de aplicar as boas regras de gestão ao demiti-lo perante as circunstâncias.
- Frase da semana - "fraude na saúde de 8% é aceitável", proferida pelo Secretário de Estado da Saúde. Gostaria que considerem-se razoável uma fraude no meu IRS, IMI, Taxas de esgotos, taxas de direitos de passagem, IVA, no mesmo valor.
- Livro da semana - Deixem Falar as Pedras, de David Machado. Uma extraordinária viagem de um rapaz pelo passado do avô onde a percepção do mundo, a realidade (?), confrontam o protagonista com a linha de separação entre o verdadeiro e o falso e de que maneira e com que frequência (eventualmente) se confundem. Neste momento conturbado do Mundo, livro recomendado a todos para pôr-mos em causa todas as nossas certezas e todos aqueles que nos apresentam inevitabilidades (que à sua maneira, são certezas).
15 novembro 2011
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- Governos técnicos: Na Grécia e na Itália surgem dois governos que podem ser considerados de iniciativa presidencial - modelo previsto nas leis dos referidos países - até à realização de eleições. Não se vislumbra onde é que formalmente a democracia deixou a funcionar nos ditos países. Aguardemos para saber como é que estes governos serão submetidos à aprovação dos respectivos parlamentos. O problema para a democracia é outro: é o apelidarem-se esses governos de técnicos (lembram-se quão apregoadamente técnicos eram os Ministros Álvaro Santos Pereira, Vitor Gaspar e outros?), dando a entender que os governos políticos (os que resultam de eleições) são piores, porque incompetentes, corruptos, contrários aos interesses dos povos, etc. São, pois, uma espécie de troika de trazer por casa. T'arrenego, cruzes canhoto.
- Os feriados: - O PSD (mais do que o CDS) tem verberado contra os feriados como uma das causas da baixa competitividade das empresas nacionais e que as pontes custam uns milhões ao país. Ontem, o senhor Álvaro Ministro disse que o Governo se tem deparado com dificuldades/impossibilidades para (re)mover os feriados das suas datas. Esta informação não estava escondida pelo Governo do PS, poderia ter sido convenientemente trabalhada em deviddo tempo. Mais uma amostra da falta de preparação do Governo e daqueles Conselhos de Sábios (liberais) que lhe andaram a preparar o caminho.
Liminarmente, todo o aumento de uma carga horária de trabalho não remunerada resulta apenas numa redução de um custo de produção: o custo do trabalho. Já que não se pode desvalorizar a moeda, desvaloriza-se um dos factores de produção. Mas, para técnicos/políticos liberais, esta carga horária não devia ser deixada ao mercado e à negociação livre entre patrões e empregados?
- Frase da semana: Nós não fazemos malabarices... Dita pelo senhor Primeiro-Ministro no debate sobre o OE na Assembleia da República. Sem mais comentários.
-Livro da semana: Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa, recomendado a todos os que sofrem na pele as travessuras da senhora Merkl. A notícia da criação de União a várias velocidade (não se pense que se ficavam só pelas duas) não é mais do que a desfaçatez daqueles que conviveram com "os mais pequenos" (nunca os países foram iguais no seio da Comunidade e da União) enquanto vendiam submarinos, liquidavam frotas pesqueiras, reduziam as produções de leite, eram os promotores de TGV, etc. e que agora se querem desenvencilhar dos parentes pobres.
- Os feriados: - O PSD (mais do que o CDS) tem verberado contra os feriados como uma das causas da baixa competitividade das empresas nacionais e que as pontes custam uns milhões ao país. Ontem, o senhor Álvaro Ministro disse que o Governo se tem deparado com dificuldades/impossibilidades para (re)mover os feriados das suas datas. Esta informação não estava escondida pelo Governo do PS, poderia ter sido convenientemente trabalhada em deviddo tempo. Mais uma amostra da falta de preparação do Governo e daqueles Conselhos de Sábios (liberais) que lhe andaram a preparar o caminho.
Liminarmente, todo o aumento de uma carga horária de trabalho não remunerada resulta apenas numa redução de um custo de produção: o custo do trabalho. Já que não se pode desvalorizar a moeda, desvaloriza-se um dos factores de produção. Mas, para técnicos/políticos liberais, esta carga horária não devia ser deixada ao mercado e à negociação livre entre patrões e empregados?
- Frase da semana: Nós não fazemos malabarices... Dita pelo senhor Primeiro-Ministro no debate sobre o OE na Assembleia da República. Sem mais comentários.
-Livro da semana: Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa, recomendado a todos os que sofrem na pele as travessuras da senhora Merkl. A notícia da criação de União a várias velocidade (não se pense que se ficavam só pelas duas) não é mais do que a desfaçatez daqueles que conviveram com "os mais pequenos" (nunca os países foram iguais no seio da Comunidade e da União) enquanto vendiam submarinos, liquidavam frotas pesqueiras, reduziam as produções de leite, eram os promotores de TGV, etc. e que agora se querem desenvencilhar dos parentes pobres.
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