23 agosto 2012

A ESTAÇÃO PARVA, TONTA, O RAIO-QUE-A-PARTA

Em texto, de 14 de Agosto, VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA, aqui escrevi que a estação parva é bem mais séria do que parece. Se o facto de em 2013 ser necessário compensar a receita que se previa arrecadar com os cortes de subsídios da função já não nos agourava um Agosto tranquilo, hoje foi revelado que a cobrança de impostos ficou três mil milhoes abaixo do previsto pelo governo, cabendo a maior fatia da queda ao IVA. Este dinheirinho não falta em 2013, é já em 2012. A estação é parva pelo que ninguém estranhará que o Primeiro-Ministro reafirme o custe o que custar, o Álvaro ministro diga que estamos a trabalhar no coiso e vamos ver os efeitos, que o Dr. Vítor Gaspar anda as voltas com o calendário do Borda d'água em busca do ano em que se inverterá a desgraça do déficite, do desemprego, da retoma, e que o dr. Paulo Portas, muito convincente, diga que agora estamos melhor estabelecendo paralelos entre o tempo em que ia meter combustível a Espanha, em que cortava nas fundações, institutos e resolvia os problemas do déficite com, um estalar de deos, e em que recusava aumentos de impostos.
A estação é parva. E o burro? O burro, sou eu?

14 agosto 2012

VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Documentos dos submarinos: A classe política e as autoridades judiciais andam com a cotação muito baixa e pouco ou nada fazem para recuperarem o prestígio perdido. O caso dos documentos, na linguagem popular é mais um prego no caixão. Sabe-se que o Dr. Paulo Portas fez 60000 fotocópias, não terá passado pela cabeça do Ministério Público ver as ditas?; depois do Dr. Paulo Portas já ocuparam o cargo quatro ministros. Nenhum deles terá tido a curiosidade de conhecer o processo em detalhe?
É verdade, são tantos os pregos que o caixão está quase fechado.
- O país dos licenciados: Durante muitas décadas um curso superior era uma miragem para a maior parte dos portugueses, algo que só estava destinado às classes superiores e a que alguns pobres tinham acesso até para se mostrarem algumas virtualidades do regime. De repente as portas abriram-se e passamos ao numerus clausus com os candidatos a empurrarem-se nas portas de entrada; mais de repente ainda, nasceram universidades privadas onde se entra "até provando-se que se é ignorante". Hoje, os portugueses desistem do ensino superior, e 70% dos que para lá vão dizem que é para emigrarem. Na terra natal o dê-érre já deixou de ser garantia do que quer que seja: nem riqueza, nem emprego, tão-pouco estatuto.
Exigência, qualidade e rigor, são as palavras chave para um ensino (não apenas no superior) de forme profissionais cultos e conhecedores. Todos os governos as apregoam, nenhum até hoje foi capaz de as levar à prática.
- Seca em Portugal: A inexistência de uma Política da Água levar-nos-á a pagar a água ao preço a que hoje pagamos o petróleo (isto, se a houver). A ministra da Agricultura reza para que chova; a única medida para racionalizar o consumo da água é o inevitável menor esforço do aumento dos preços; as águas sanitárias continuam a ser tratadas; as captações e reservas de água são feitas para produção de energia, portanto, onde as reservas são naturalmente menos necessárias.
Não é apenas inadmissível legar dívidas e déficites às gerações futuras, também o é deixá-los sem água.
- Frase da semana: "Os resultados dos Jogos (Olímpicos) são a imagem do que somos como país", Vicente Moura, Presidente do Comité Olímpico de Portugal. Tudo o que fazemos é reflexo do que somos, havendo sempre as excepções para o melhor e o pior. O Comandante Vicente Moura talvez quisesse dizer que o "dirigismo" do COP é o reflexo da mediocridade organizacional do país, daí o saltar para a praça pública a tentar justificar-se com uma rajada de atoardas. Não teve a sorte de 2008 em que umas medalhas ao cair do pano, em Pequim, o levaram a dar o dito por não dito quanto à sua continuidade à frente do COP.
- Livro da semana: "A Insustentável Leveza do Ser", a pensar numa não-existência: o Prof. Cavaco Silva.

12 agosto 2012

CURIOSITY, a medalha de ouro dos EUA em Marte

Os jogos, as competições desportivas,sublimaram as tendências guerreiras inerentes à condição humana. Os Jogos Olímpicos da Era Moderna são o exemplo acabado e mais visível dessa sublimação quando a disputa pelas medalhas entre o bloco ocidental - principalmente EUA - e o bloco de Leste consubstanciava a contenda pelo primeiro lugar de nação mais poderosa do Mundo, sendo disso reflexo as vitórias desportivas. Os EUA foram claramente dominadores dos Jogos de Londres (se bem que as provas rainhas tenham tido outros vencedores) relegando para segundo lugar o grande gigante que é a China.
A data de "amartagem" da Curisity no planeta vermelho não terá sido propositadamente programada para período de olimpíadas,mas a coincidência do maior número de medalhas dos EUA nos Jogos de Londres com o feito tecnológico, mostra qual o bloco que ainda se mantém na vanguarda da tecnologia, portanto com vantagem para a guerra, já que os mais apetrechados tecnologicamente são invariavelmente os vencedores.
Um robô a explorar Marte e a declarção de Obama que até 2030 haverá um homem (quer ele dizer um americano) a pisar aquele planeta, não é mais do que a declaração reavivada do relançamento do programa espacial de John Kennedy numa clara vontade de ganhar, à época, a corrida do espaço ao bloco soviético...e demonstrar o poderio bélico.
Os EUA bem podem congratular-se desta medalha de ouro conquistada em Marte.
Para reflexão: os países da Uni-ao Europeia ganharam muito mais medalhas do que os EUA. Se fosse uma verdadeira União, poderíamos estar agora a pousar em Júpiter?

31 julho 2012

VISAO ACTUALIDADE DA SEMANA

- Estação parva: a silly season tem de tudo, menos de parva, e em contraponto com o resto do ano revela-se bem mais séria do que possa parecer. Para além de se evaporarem do nosso convívio diário muitos políticos e comentadores que fazem jus ao epíteto da estação, teremos a avaliação da troika e as suas soluções para a derrapagem de execução orçamental e substituição do corte de subsídios na função pública.
- Jogos Olímpicos: O Reino unido fez uma sessão de abertura mostrando o que melhor tinha realizado nos últimos 150 anos e de que muito se orgulha. Um dos quadros era sobre o seu Serviço Nacional de Saúde. Sintomático, num país tido como liberal e conservador, que um dos seus orgulhos seja a redistribuição da riqueza numa área sensível como é a da saúde.
- Eleições nos EUA: Em Portugal segue-se com pouca (ou nenhuma) atenção a corrida à Casa Branca, a não ser durante a campanha propriamente dita em que as televisões enviam uns repórteres que nada dizem nem esclarecem sobre as ideias dos candidatos. É interessante ir conhecendo as declarações do candidato republicano, Mitt Romney, pois está definitivamente interessado em destornar Bush (filho) na idiotice. George W. Bush ao pé de Mitt Romney parece um licenciado, memso que com equivalências. Mitt Romney pode ser o idota de serviço, mas ele não é mais do que a face visível de certos senhores do Mundo.
- Frase da semana: Porque trata a Alemanha a zona euro como uma filial? Jean-Claude Juncker. Para já, filial é elogio, a Alemanha trata os países da zona euro como servos da gleba. Depois, o sr. Juncker é Primeiro-Ministro (legítimo e legitimado)do Luxemburgo há 17 anos, uma das praças financeiras da Europa pouco escrutinadas. Antes do finalmenete, o sr. Juncker esteve à frente, ou colaborou em lugares de destaque, com várias instituições financeiras que trouxeram a Europa (e o mundo ocidental) a este ponto. Finalmente, para quando uma posição concertada dos países em maiores dificuldades dentro do União Europeia? É a solidariedade, estúpidos, diria o sr. Clinton se estivesse a disputar eleições.
- Livro da semana: O Complexo de Portnoy, Philipe Roth. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

12 julho 2012

A porcaria do Dr. Pedro Passos Coelho

Comecemos pelo verdadeiro dito em inglês,don t hit the shit to the fan - não atires merda à ventoinha. O senhor Primeiro-Ministro diz não revelar pormenores ou mesmo pormaiores do orçamento de 2013 para não atirar porcaria à ventoinha e não assustar os portugueses. Sejamos benévolos, mas pouco crentes, que quis dizer que não pretenderia meter medo aos portugueses com cenários catastrofistas que depois eventualmente não se venham a concretizar.
Tomando como bom este raciocínio, tiro a conclusão que o senhor Primeiro-Ministro não quererá mentir de novo aos portugueses, como o fez durante a campanha eleitoral quando afirmava que outros mentiam ao dizer que ele iria tirar os subsídios de férias e de Natal se viesse a formar governo; não quererá mentir de novo,como o fez quando anunciou a data de reposição dos ditos subsídios, obrigando o seu ministro das finanças a confessar que tinha cometido um lapso; etc., etc.
O Dr. Pedro Passos Coelho há muito que anda a atirar porcaria para a ventoinha, só que agora a geringonça começou a funcionar e ele não saiu da frente. Mesmo assim, gosto mais do provérbio mais português, não cuspas para o ar... É mais limpo.

10 julho 2012

VISAO DA ACTUALIDADE DA SEMANA

- Licenciatura do Dr. Miguel Relvas: A licenciatura do Dr. Miguel Relvas pode ser permitida por lei. Mas depois do acesso ao processo e declarações de responsáveis da Lusófona parece provado o espirito colaboracionista da Universidade, que não consta seja tão benemérita com a maior parte dos alunos.
O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa diz que este caso é um "assunto" porque se faz o paralelismo com o do Eng. José Sócrates. É verdade, e não será alheio a essa verdade que a grande parte dos que verberavam contra Sócrates agora estão calados ou fazem do caso uma tímida recordação.
As redes sociais são hoje um fortíssimo meio de divulgação e contestação de determinadas práticas. O Dr. Miguel Relvas não pode olvidar esse facto e de como isso se reflecte na imagem do governo do qual ele é rosto proeminente.
- Renegociar a dívida: precisamos de mais tempo para pagar a dívida e cumprir as metas do déficite, mas devemos esperar que seja a troika a propor, disse Miguel Frasquilho (com ar compungido, sem a arrogância a que nos acostumou) num debate televisivo. Afirma-se que parece mal a um devedor demonstrar que precisa de novas condições mais facilitadas. Já alguma vez se viu algum credor de moto próprio dizer que deve conceder maiores facilidades aos devedores?
- Vaias a membros do Governo e PR: a austeridade gera descontentamento, é um facto. Mas os apupos que têm sido notícia devem-se aos lapsos (os subsídios de férias e Natal serão repostos parcialmente a partir de 2015), à falta de ética política (faltar à verdade numa Comissão Parlamentar), aos disparates nas declarações (a minha reforma não chega para viver), aos falsos moralismos (o Eng. Sócrates devia ter vergonha de como conseguiu a licenciatura). Que lhe espetem os dedos nos olhos e o tomem por parvo, é disso que o povo não gosta.
- Livrarias em Portugal : Portugal tem das mais antigas livrarias do mundo (Bertrand, Chiado), uma das mais belas do mundo (Lello, Porto) e a segunda maior do Mundo (Esperança, Funchal). O que fazemos com elas? E com todas as outras.
- Frase da semana: Se têm alternativas aos cortes que as apresentem, disse o senhor Primeiro-Ministro depois de saber que é necessário encontrar alternativa aos cortes dos subsídios da função pública. Estou de acordo, mas a frase não deveria ter sido dita com tom desafiador e com acinte, mas com um verdadeiro convite ao diálogo, ao entendimento e ao consenso.
- Livro da semana: Obras Completas , Jorge Luís Borges, qualquer volume. Ler um poema, um conto, uma peça ensaística ou de pura reflexão é ficar a meditar em frente do mar ou de verdes campos, é uma sugestão para as férias.

06 julho 2012

Cada vez percebo menos

Como trabalhador do sector privado, a decisão do Tribunal Constitucional sobre o corte dos subsídios da Função Pública não me podia ser mais desfavorável, na perspectiva de ser novamente sobretaxado. Como democrata, a decisão do TC parece-me justa e acertada no que diz respeito ao principio da igualdade. Como defensor do Estado de Direito, fico contente de o primado da justiça se ter sobreposto ao primado da economia. Como ignorante em Direito, não entendo como é que se permite que se mantenha algo que é ilegal. O ano passado fez-se um orçamento rectificativo para ajustar uma execução orçamental que já estava em curso. O TC teve medo de ser acusado de ser o responsável pelo incumprimento do déficite de 2012. Como keynesiano,não vejo como é que a austeridade pura e dura e depois de desmantelado o tecido produtivo relança a economia. Acho que os liberais também já estão com dificuldade de ver. Como pessimista, estou convencido que a espiral recessiva vem aí. A espiral, porque a recessão já cá está. Como cidadão que não tem experiência em futurologia, não sendo portanto licenciado na matéria, não vejo como é que se sai disto. Como invejoso, invejo tanta gente com tantos saberes que nos apregoa hoje uma coisa, amanhã outra, e cada vez o fundo vai mais para baixo. Sim, porque quando batemos no fundo, o fundo desce.