"A Questão Finkler", de Howard Jacobson, galardoado com Man Booker Prize de 2010, é normalmente considerado o primeiro livro humorístico a receber aquela distinção. Permito-me discordar, pois nem tudo o que nos faz rir ou sorrir é forçosamente baseado no humor ou na comicidade. Se algumas situações são caricatas, se muitos dos diálogos são irónicos e sarcásticos e se o curso da história goza com a desesperança e desespero de Julian Treslove em se tornar judeu, o autor recorre a um pretenso ou falso humor para descrever a capacidade de os judeus como povo e individualmente têm de gozar consigo próprios e a partir daí com os outros. Além disso, "A Questão Finkler" não é propriamente um romance, mas antes um ensaio romanceado sobre o "judeuismo" (não sobre o judaísmo): o modo de ser, pensar e viver como um judeu.
Julian Treslove, um não-judeu, vive obcecado pela sua integração no "judeuismo" que considera a fonte de todo o sucesso do Mundo e culpado de todo o insucesso de todos os não-judeus, logo do seu. E para tanto não basta a adopção da religião judaica. A tese do judeu Howard Jacobson é de que seria demasiado fácil que a simples conversão religiosa habilitasse alguém a tornar-se judeu. E vai mais longe ao apelidar os judeus de finklers, pois enquanto é possível alguém declarar-se como convertido a uma qualquer religião, ou pedir uma nova nacionalidade, tornar-se noutro alguém - neste caso Finkler como símbolo de todos os finklers - é impossível. É este modo de ser judeu que torna o "judeuísmo" impenetrável a estranhos e, ao mesmo tempo, permite que os judeus não se dissolvam culturalmente, e enquanto nação espalhada pelo Mundo, noutras culturas e noutros povos.
Indo mais longe na análise do "ensaio" "A Questão Finkler", este contrapõe-se ao "Sobre A Questão Judaica", de Karl Marx, e segue na linha de Abram Leon, "A Questão Judaica", considerando que a religião, o judaísmo, não é a origem da explicação da História dos judeus como povo, mas precisamente o inverso e desta História que preserva uma religião advém a capacidade de os judeus rirem e desancarem em si próprios porque conhecem a sua superioridade: eles consideram que, como Povo Escolhido, caminham ao lado de Deus, enquanto os outros caminham para Deus.
"A Questão Finkler" é um romance académico (o que não é de modo nenhum um desperstígio), ou seja escrito - bem escrito -, de acordo com os cânones, narração linear, muito suportada no discurso directo,com uma excelente constância na caracterização e evolução dos três personagens principais. A tradução há-de ter sido bastante difícil e trabalhosa porque não é fácil traduzir o que pensam e dizem os finklers na sua linguagem original, neste caso o inglês. E preciso ser-se finkler.
28 julho 2011
25 julho 2011
Será correcto dizer "acalmar os mercados"?
Umberto Eco, o mais famoso semiologista da actualidade, poder-nos-ia dar uma ajuda na compreensão da crise financeira mundial, já que a semiologia é a ciência que se debruça sobre o modo de produção, funcionamento e recepção dos sinais de comunicação entre indivíduos e colectividades. Poder-nos-ia (e sobretudo aos governantes) ajudar a analisar a expressão tão em voga de acalmar os mercados.
As medidas financeiras e nomeadamente as de austeridade destinam-se antes a acalmar diversos países, instituições políticas e todos nós, na expectativa de inquietar os mercados. É verdade, não há engano, inquietar os mercados. Porque se existem organismos que neste momento atravessam um período de calma são precisamente os mercados, pois estão a ganhar biliões. Alguém, alguma vez se sentiu nervoso quando está a ganhar rios de dinheiro? Poderá não estar calmo, mas não é de medo que se queixará, é de euforia.
Em períodos de acalmia (que significa pouca variação nas cotações) um mercado comporta-se como um tigre à espera de saltar sobre a presa: imóvel, silencioso, calmo.
Os países da "esfera ocidental", estão a tomar as mais irracionais das medidas para conterem a euforia dos mercados, assemelhando-se ao sacrifício feito ao Minotauro que na Antiga Grécia (ele há coincidências!)todos os anos devorava catorze jovens (sete da cada género) que lhe eram entregues por uma tribo. O monstro era insaciável e estava descansado porque a tal tribo não mudava de paradigma (até um dia). Os gregos para o acalmar, todos os anos cometiam o mesmo erro.
Deveria, pois, ser abandonada a expressão acalmar os mercados, porque conforme ensina a semiologia os vícios de linguagem podem induzir a raciocínios errados.
E deveríamos, todos e cada um de nós, tomar consciência de que os únicos a terem já a certeza que depois desta crise financeira, um dia haverá uma outra, são os mercados. Então, com as nossas aflições eles voltarão à calma (eufórica).
As medidas financeiras e nomeadamente as de austeridade destinam-se antes a acalmar diversos países, instituições políticas e todos nós, na expectativa de inquietar os mercados. É verdade, não há engano, inquietar os mercados. Porque se existem organismos que neste momento atravessam um período de calma são precisamente os mercados, pois estão a ganhar biliões. Alguém, alguma vez se sentiu nervoso quando está a ganhar rios de dinheiro? Poderá não estar calmo, mas não é de medo que se queixará, é de euforia.
Em períodos de acalmia (que significa pouca variação nas cotações) um mercado comporta-se como um tigre à espera de saltar sobre a presa: imóvel, silencioso, calmo.
Os países da "esfera ocidental", estão a tomar as mais irracionais das medidas para conterem a euforia dos mercados, assemelhando-se ao sacrifício feito ao Minotauro que na Antiga Grécia (ele há coincidências!)todos os anos devorava catorze jovens (sete da cada género) que lhe eram entregues por uma tribo. O monstro era insaciável e estava descansado porque a tal tribo não mudava de paradigma (até um dia). Os gregos para o acalmar, todos os anos cometiam o mesmo erro.
Deveria, pois, ser abandonada a expressão acalmar os mercados, porque conforme ensina a semiologia os vícios de linguagem podem induzir a raciocínios errados.
E deveríamos, todos e cada um de nós, tomar consciência de que os únicos a terem já a certeza que depois desta crise financeira, um dia haverá uma outra, são os mercados. Então, com as nossas aflições eles voltarão à calma (eufórica).
22 julho 2011
Ó desvio colossal, sai da frente!
Na passada semana o país foi surpreendido, se é que foi, por um desvio colossal no déficite das contas públicas. Na mesma semana o Ministro das Finanças vem explicar como é que vai ser aplicado aos portugueses um roubo "colossal" e aproveita a conferência de imprensa para fazer um apurado sketch de mímica (vejam o vídeo sem som) a explicar o que é que afinal o "colosso" adjectivava.
Os mediáticos do PSD, afirmando que o valor do tal déficite era de 2,3 mil milhões de euros, apareceram a desmentir o senhor Ministro das Finanças que dissera que o acréscimo do déficite era da ordem dos 1000 milhões de euros.
Esta semana correu bastante melhor. O senhor Primeiro Ministro, a partir de Bruxelas, acertou na interpretação do senhor Ministro das Finanças e no valor de derrapagem do déficit. É particularmente feliz a expressão do senhor Primeiro Ministro, "como todos os portugueses já perceberam não há um desvio colossal..."
Entre os dois eventos atrás relatados, criou-se um facto com um vídeo no Youtube, "Ó Guedes, sai da frente", com a finalidade de o número de visitas ser batido pelo visionamento do vídeo que hoje foi divulgado mostrando que o senhor Primeiro Ministro só fala verdade. Dá o vídeo pelo nome "Ó desvio colossal, sai da frente"
Os mediáticos do PSD, afirmando que o valor do tal déficite era de 2,3 mil milhões de euros, apareceram a desmentir o senhor Ministro das Finanças que dissera que o acréscimo do déficite era da ordem dos 1000 milhões de euros.
Esta semana correu bastante melhor. O senhor Primeiro Ministro, a partir de Bruxelas, acertou na interpretação do senhor Ministro das Finanças e no valor de derrapagem do déficit. É particularmente feliz a expressão do senhor Primeiro Ministro, "como todos os portugueses já perceberam não há um desvio colossal..."
Entre os dois eventos atrás relatados, criou-se um facto com um vídeo no Youtube, "Ó Guedes, sai da frente", com a finalidade de o número de visitas ser batido pelo visionamento do vídeo que hoje foi divulgado mostrando que o senhor Primeiro Ministro só fala verdade. Dá o vídeo pelo nome "Ó desvio colossal, sai da frente"
18 julho 2011
"PASTORAL AMERICANA", de Philip Roth, D. Quixote
De há alguns anos a esta parte Philip Roth é um permanente candidato ao Prémio Nobel da Literatura. Como se sabe são insondáveis os desígnios do Senhor e os critérios da Academia Sueca atribuição do dito galardão. Embora, Roth não fosse escritor que me entusiasmasse, está a milhas de distância (à frente) de outros escritores já distinguidos com o Nobel.
Na semana que findou li "Pastoral Americana" e fiquei rendido. É um portentoso romance.
A leitura e análise superficiais remetem-nos para a concretização do "sonho americano" por um judeu, Seymour Levov, que vê esse ideal ser destruído pelos entes familiares que lhe são mais próximos e queridos. Um homem, singra na vida e tem tudo o que lhe é imaginável alcançar: beleza física -sua e da mulher -, êxito nos três desportos que pratica, reconhecimento nos Fuzileiros, uma filha que adora e que tem um "pequeno" problema de gaguez, e sucesso nos negócios que herdou do pai. Para tanto, bastou-lhe acreditar na América e na prossecução dos padrões de fazer sempre o que está certo.
Mas, Philip Roth não se limita a uma história banal de ascensão e queda, vai ao fundo do "sonho americano" mostrando que esse sonho encerra dentro de si a sua própria substância e o seu contrário (não são assim todos os organismos, sistemas, ideais?), contém no seu seio os gérmenes da sua própria destruição. E o romance, feito de inúmeros argumentos e contra-argumentos, de infindáveis sequências de perguntas, cujas respostas são novas dúvidas, conduz-nos ao problema fundamental: o "sonho americano" não se confina ao sucesso económico-financeiro, passa pelo sucesso do indivíduo como homem perfeito com sucesso em todas as actividades e muito especialmente na família. A sua família também tem de ser uma família de sucesso, sem pecado, sem mácula. E é por aqui, pela família, que o Sueco, Levov, vê ruir todas as suas ilusões.
Se a América é vista com a terra das grandes oportunidades e o "sonho americano" se materializa sobretudo pelo sucesso económico, a pastoral americana, idílica, é mais falível pelo lado dos valores morais e espirituais, do que pelo lado do dinheiro.
Um livro publicado em 1997, mas muito actual para nos questionarmos sobre os valores que nós europeus, nós portugueses queremos adoptar. O "sonho americano", como ideologia (o discurso da tia da mulher de Levov para convencer o pai a deixá-la concorrer a Miss América é paradigmático e espectacular),o bem-estar económico que se pressupõe ser o sustentáculo de toda a felicidade podem ser o motor da economia, mas podem destruir os homens "bons" como o Sueco, Levov.
Na semana que findou li "Pastoral Americana" e fiquei rendido. É um portentoso romance.
A leitura e análise superficiais remetem-nos para a concretização do "sonho americano" por um judeu, Seymour Levov, que vê esse ideal ser destruído pelos entes familiares que lhe são mais próximos e queridos. Um homem, singra na vida e tem tudo o que lhe é imaginável alcançar: beleza física -sua e da mulher -, êxito nos três desportos que pratica, reconhecimento nos Fuzileiros, uma filha que adora e que tem um "pequeno" problema de gaguez, e sucesso nos negócios que herdou do pai. Para tanto, bastou-lhe acreditar na América e na prossecução dos padrões de fazer sempre o que está certo.
Mas, Philip Roth não se limita a uma história banal de ascensão e queda, vai ao fundo do "sonho americano" mostrando que esse sonho encerra dentro de si a sua própria substância e o seu contrário (não são assim todos os organismos, sistemas, ideais?), contém no seu seio os gérmenes da sua própria destruição. E o romance, feito de inúmeros argumentos e contra-argumentos, de infindáveis sequências de perguntas, cujas respostas são novas dúvidas, conduz-nos ao problema fundamental: o "sonho americano" não se confina ao sucesso económico-financeiro, passa pelo sucesso do indivíduo como homem perfeito com sucesso em todas as actividades e muito especialmente na família. A sua família também tem de ser uma família de sucesso, sem pecado, sem mácula. E é por aqui, pela família, que o Sueco, Levov, vê ruir todas as suas ilusões.
Se a América é vista com a terra das grandes oportunidades e o "sonho americano" se materializa sobretudo pelo sucesso económico, a pastoral americana, idílica, é mais falível pelo lado dos valores morais e espirituais, do que pelo lado do dinheiro.
Um livro publicado em 1997, mas muito actual para nos questionarmos sobre os valores que nós europeus, nós portugueses queremos adoptar. O "sonho americano", como ideologia (o discurso da tia da mulher de Levov para convencer o pai a deixá-la concorrer a Miss América é paradigmático e espectacular),o bem-estar económico que se pressupõe ser o sustentáculo de toda a felicidade podem ser o motor da economia, mas podem destruir os homens "bons" como o Sueco, Levov.
08 julho 2011
Vamos mudar o Mundo
Costumo dizer que já passei a idade de querer mudar o Mundo. Dito assim por mera facilidade de linguagem, porque a frase está incompleta.
Falta-lhe: de uma só vez e rapidamente, já que a vontade de querer mudar o Mundo mantenho-a como aos 18 anos (as mudanças pretendidas não são exactamente as mesmas).
Poderá parecer contraditório que quanto mais avançamos na idade, pois menos tempo temos, menos pressa temos em que o Mundo mude de acordo com a nossa vontade, ou até já nem nos importa muito que não mude. Resignação? Acomodação? Talvez, em alguns casos, em algumas ocasiões.
Mas, talvez também, porque a maturidade é boa conselheira no acerto das escolhas, na eficácia dos métodos e no realismo dos objectivos; também porque já desfrutámos, ou sofremos, as mudanças que entretanto ocorreram; e finalmente, porque quer queiramos, ou não, o Mundo vai mudar.
E conforme não nos apercebemos da velocidade do movimento de rotação da Terra - apenas vamos paulatinamente dando conta do chegar da noite ou do amanhecer e são factos a que não damos especial relevo -, também temos dificuldade em nos apercebermos das mudanças operadas porque elas vão pé-ante-pé fazendo parte do nosso quotidiano. Se repararmos bem quando ocorre um evento a partir do qual se declara agora tudo será diferente, esse facto não é um ponto de partida, mas a consequência do acumular de pequenas transformações e diferenças. A ditadura em Portugal não caiu com o 25 de Abril; o comunismo não acabou no dia do derrube do Muro de Berlim; o perigo do fundamentalismo islâmico não começou com o atentado às Torres Gémeas. Uma série infindável de pequenas acções levadas a cabo por milhões de pessoas desembocaram nesses acontecimentos charneira.
Se olharmos para dez, vinte, cinquenta anos atrás o Mundo é hoje substancialmente diferente. E se por humildade somos levados a pensar que as transformações realizadas não se deveram também a cada um de nós, mas a cérebros iluminados e mentes poderosas de confundir a árvore com a floresta. Todos e cada um de nós contribuíram com a sua quota parte: revoltando-se, ou não se revoltando; actuando, ou não actuando; protestando, ou não protestando; produzindo, ou não produzindo; orando, ou não orando, gastando, ou não gastando; votando, ou não votando; poluindo, ou não poluindo; pagando os devidos impostos, ou não pagando.
Pequenos gestos que julgamos inconsequentes podem fazer a diferença daqui a uns anos. Tomemos consciência dessas acções que poderão ajudar a mudar Portugal (para melhor) e sintamos orgulho em participar na mudança do Mundo.
Falta-lhe: de uma só vez e rapidamente, já que a vontade de querer mudar o Mundo mantenho-a como aos 18 anos (as mudanças pretendidas não são exactamente as mesmas).
Poderá parecer contraditório que quanto mais avançamos na idade, pois menos tempo temos, menos pressa temos em que o Mundo mude de acordo com a nossa vontade, ou até já nem nos importa muito que não mude. Resignação? Acomodação? Talvez, em alguns casos, em algumas ocasiões.
Mas, talvez também, porque a maturidade é boa conselheira no acerto das escolhas, na eficácia dos métodos e no realismo dos objectivos; também porque já desfrutámos, ou sofremos, as mudanças que entretanto ocorreram; e finalmente, porque quer queiramos, ou não, o Mundo vai mudar.
E conforme não nos apercebemos da velocidade do movimento de rotação da Terra - apenas vamos paulatinamente dando conta do chegar da noite ou do amanhecer e são factos a que não damos especial relevo -, também temos dificuldade em nos apercebermos das mudanças operadas porque elas vão pé-ante-pé fazendo parte do nosso quotidiano. Se repararmos bem quando ocorre um evento a partir do qual se declara agora tudo será diferente, esse facto não é um ponto de partida, mas a consequência do acumular de pequenas transformações e diferenças. A ditadura em Portugal não caiu com o 25 de Abril; o comunismo não acabou no dia do derrube do Muro de Berlim; o perigo do fundamentalismo islâmico não começou com o atentado às Torres Gémeas. Uma série infindável de pequenas acções levadas a cabo por milhões de pessoas desembocaram nesses acontecimentos charneira.
Se olharmos para dez, vinte, cinquenta anos atrás o Mundo é hoje substancialmente diferente. E se por humildade somos levados a pensar que as transformações realizadas não se deveram também a cada um de nós, mas a cérebros iluminados e mentes poderosas de confundir a árvore com a floresta. Todos e cada um de nós contribuíram com a sua quota parte: revoltando-se, ou não se revoltando; actuando, ou não actuando; protestando, ou não protestando; produzindo, ou não produzindo; orando, ou não orando, gastando, ou não gastando; votando, ou não votando; poluindo, ou não poluindo; pagando os devidos impostos, ou não pagando.
Pequenos gestos que julgamos inconsequentes podem fazer a diferença daqui a uns anos. Tomemos consciência dessas acções que poderão ajudar a mudar Portugal (para melhor) e sintamos orgulho em participar na mudança do Mundo.
05 julho 2011
Vanitas vanitatum et omnia vanitas
Vanitas vanitatum et omnia vanitas (vaidade das vaidades, tudo é vaidade)
Este meu romance foi incluído no Plano Nacional de Leitura.
04 julho 2011
"Há mar e mar, há ir e voltar", Alexandre O' Neill
No que à poesia diz respeito assemelho-me à minha condição de crente da religião católica: sou, mas não pratico. No entanto, de quando em vez, lá vou a uma missa e faço visitas regulares (esparsas) à Nossa Senhora do Monte; tal e qual como na visita à poesia, de vez em quando leio alguma coisa numa livraria e lá peregrino a uns livros que tenho em casa.
Eu, pecador, confesso que me penalizo mais pela segunda falha do que pela primeira.
Estando em fase de finalização do meu terceiro romance, deliberadamente pus de parte a leitura de prosa para não ser influenciado pelo estilo de qualquer autor. Incapaz de passar sem ler -leio até nos jornais o casamento do príncipe do Mónaco -, virei-me, então, para a poesia: Jorge Luís Borges e Eugénio O' Neill (esse mesmo, o do Cherne).
Não tenho para com a poesia a mesma arrogância que tenho para a prosa: sinto-me incapaz de fazer crítica literária de qualquer obra poética. O que sei de poesia é empírico e sendo a ignorância a mãe de todos os atrevimentos permito-me, então, tecer as seguintes considerações:
1 - Os poetas portugueses são na sua "arte" melhores do que os prosadores.
2 - Com o tropismo para Pessoa secámos (alguém seca) o resto da poesia e dos poetas.
3 - Sem nenhum estudo "científico" (nos Estados-Unidos já haveria uma estatística), estou em crer que a maior parte dos jovens começa por escrever em verso, porque mais curto, a sensação de menos trabalhoso, uma rimas e a "coisa" fica composta. Porque não aproveitar e desenvolver este gosto inicial?
Os livros de poemas não os leio em sequência "paginal"; folheio o livro e vou parando naqueles que me parecem mais interessantes. E depois volto atrás, para ler os mesmos (que na nova leitura já são outros), para ler os que ainda não li, para deixar inacabados os que não gosto. Assim vou percorrendo Poesias Completas Alexandre O' Neill.
Na poesia de O' Neill detecta-se o espírito rebelde, irreverente, a inteligência acutilante, mordaz, a observação para além da realidade, ou não fosse ele um poeta surrealista.
SENTENÇAS DELIRANTES DUM POETA PARA SI PRÓPRIO EM TEMPO DE CABEÇAS PENSANTES
6.
Uma palavra e, as vezes, a melhor argamassa.
Perguntas me o que deves fazer com a pedra que
Te puseram em cima da cabeça?
Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.
E provável que te sintas logo muito melhor.
Sai então de baixo da pedra
7.
Onde houver obras publicas não deponhas a tua obra.
Poderias atrapalhar os trabalhos.
Os de pedra sobre pedra, entenda-se.
Mas da sempre um Bom dia! Ao pessoal do estaleiro.
Uma palavra é, às vezes,a melhor argamassa.
Definitivamente, tenho de me tornar mais praticante. Na agenda: António Pina (claro) e Pires Cabral.
Eu, pecador, confesso que me penalizo mais pela segunda falha do que pela primeira.
Estando em fase de finalização do meu terceiro romance, deliberadamente pus de parte a leitura de prosa para não ser influenciado pelo estilo de qualquer autor. Incapaz de passar sem ler -leio até nos jornais o casamento do príncipe do Mónaco -, virei-me, então, para a poesia: Jorge Luís Borges e Eugénio O' Neill (esse mesmo, o do Cherne).
Não tenho para com a poesia a mesma arrogância que tenho para a prosa: sinto-me incapaz de fazer crítica literária de qualquer obra poética. O que sei de poesia é empírico e sendo a ignorância a mãe de todos os atrevimentos permito-me, então, tecer as seguintes considerações:
1 - Os poetas portugueses são na sua "arte" melhores do que os prosadores.
2 - Com o tropismo para Pessoa secámos (alguém seca) o resto da poesia e dos poetas.
3 - Sem nenhum estudo "científico" (nos Estados-Unidos já haveria uma estatística), estou em crer que a maior parte dos jovens começa por escrever em verso, porque mais curto, a sensação de menos trabalhoso, uma rimas e a "coisa" fica composta. Porque não aproveitar e desenvolver este gosto inicial?
Os livros de poemas não os leio em sequência "paginal"; folheio o livro e vou parando naqueles que me parecem mais interessantes. E depois volto atrás, para ler os mesmos (que na nova leitura já são outros), para ler os que ainda não li, para deixar inacabados os que não gosto. Assim vou percorrendo Poesias Completas Alexandre O' Neill.
Na poesia de O' Neill detecta-se o espírito rebelde, irreverente, a inteligência acutilante, mordaz, a observação para além da realidade, ou não fosse ele um poeta surrealista.
SENTENÇAS DELIRANTES DUM POETA PARA SI PRÓPRIO EM TEMPO DE CABEÇAS PENSANTES
6.
Uma palavra e, as vezes, a melhor argamassa.
Perguntas me o que deves fazer com a pedra que
Te puseram em cima da cabeça?
Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.
E provável que te sintas logo muito melhor.
Sai então de baixo da pedra
7.
Onde houver obras publicas não deponhas a tua obra.
Poderias atrapalhar os trabalhos.
Os de pedra sobre pedra, entenda-se.
Mas da sempre um Bom dia! Ao pessoal do estaleiro.
Uma palavra é, às vezes,a melhor argamassa.
Definitivamente, tenho de me tornar mais praticante. Na agenda: António Pina (claro) e Pires Cabral.
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