Em miúdo eu tinha uma bola. Tinha A bola. Eu era o dono, logo, quando havia pénalti contra a equipa contrária, era eu que apontava o castigo máximo, caso contrário já se sabe ao que eram sujeitos os contestarios. O problema é que se todos me obedeciam, a bola não. Teimava em sair fora do enquadramento da baliza ou direitinha as mãos do guarda-redes.
O meu primo, mais velho que eu, amante do Benfica, mas que chegou ia treinar nos juniores do Sporting, deu-me a táctica: vais deixar de marcar em jeito. Pões a bola na marca e depois só te preocupas em dar uma biqueirada com toda a força.
Queria ele dizer: um ganda pontapé de bico e fé em Deus.
Ao ouvir hoje o debate na Assembleia sobre o OE 2012 da parte do Governo e bancadas apoiantes se ouviu apenas: nada será como dantes, acreditamos no povo português,nós estamos aqui para fazer como deve ser, é inevitável, foram os outros, acredito que o meu primo tenha sido contratado como consultor deste Governo, e que se terá mantido fiel aos seus princípios tácticos: OE na marca,biqueirada para a frente e Deus queira que dê resultado.
Não precisa o Governo de me contratar para saber o que me aconteceu com os penaltis de biqueira, eu revelo: aumentou a eficácia, pouco mas aumentou, mas não demorou muito para que a minha mãe me tirasse a bola devido ao aumento de vidros de janelas partidos e das unhas do dedo grande do pé direito encravadas.
Quanto à biqueirada do Governo com o OE 2012 foi à figura, mas disparado com tal violência que meteu guarda-redes e tudo pela baliza dentro.
10 novembro 2011
09 novembro 2011
ESTAMOS TODOS A COMENTAR ACIMA DAS NOSSAS POSSIBILIDADES
É espantosa a velocidade com que comentadores e analistas políticos e económico são obrigados a fazerem piruetas analíticas, dar o dito por não dito ou a meterem a viola no saco.
Ainda há seis meses - é verdade, só seis meses - eramos bombardeados com o desfasamento da realidade do Eng.º José Sócrates, como causa de todos os males que aconteciam ao nosso país; depois de o terem derrubado, o cancro era o malvado modelo de Estado Social e a demografia; a seguir, a culpa era do despesismo não produtivo que remontava, num passado ainda não muito distante, à governação do Prof. Cavaco Silva; finalmente, atiraram-se à falta de liderança europeia que deixa países caírem, um a um, até os mercados chegarem, não às portas de Roma, que para eles já é cidade aberta, mas às portas de Brandeburgo. Dizem que aí a Alemanha vai tomar uma atitude.
Comentando apenas o passado e fazendo-o à luz do presente de hoje, porque amanhã já pode ser diferente, parece-me evidente que por falta de visão, por interesses pessoais, por mimetismo, por chantagem, por imposição, ou simplesmente porque era mais fácil, os governantes europeus hipnotizados por uma miragem de dinheiro fácil, crescimento continuando e imparável, se deixaram enredar numa teia tecida laboriosamente pelos mercados que ganharam dinheiro com dot.com's, com especulação imobiliária, com crédito a rodos a famílias, empresas e Estados, e que agora ganham mais dinheiro com dívidas soberanas, com o arrasamento do valor bolsista das empresas para puderem ser facilmente adquiridas. Os governantes viveram (fizeram-nos viver)pelas razões apontadas no logro de que a alavancagem das economias mais débeis da União Europeia era a solução para duas necessidades opostas: o escoamento de tecnologia e de excedentes de países ricos para países menos desenvolvidos prometendo-lhes que um dia chegariam a ricos. Mas, mesmo muito do dinheiro que os países ricos despejaram nos países mais pobres ou menos ricos, não lhes pertencia. Foram buscá-lo aos mercados a um juro mais baixo e emprestaram-no com um adicional de ganho. E o mal foi alguém ter dito, agora quero que me paguem, onde é que está o dinheiro real? (caso paridigmático é o sub-prime nos Estados-Unidos).
Este é o sistema em que nos enredámos. Este é O sistema. É muito difícil sair daqui e mais difícil é quando não se vê o rosto do suporte deste sistema: os mercados. Já ouvimos dizer que são pessoas. Mas, já alguém entrevistou alguma dessas pessoas para se saber o que pretendem (para além de ganhar dinheiro)? Que eu saiba, não. Os mercados são o mais antigo grupo de Anonymous que ocuparam a nossa vida.
Qualquer comentário sobre o futuro e sobre possíveis soluções pode falhar redondamente, e falhará por certo se continuarmos a utilizar os mesmos instrumentos de análise, por isso os comentadores e analistas que andaram (e que andem) armados em pitonísas são, também eles, fonte do problema. É, pois, caso para dizer: estamos todos a comentar acima das nossas possibilidades.
Ainda há seis meses - é verdade, só seis meses - eramos bombardeados com o desfasamento da realidade do Eng.º José Sócrates, como causa de todos os males que aconteciam ao nosso país; depois de o terem derrubado, o cancro era o malvado modelo de Estado Social e a demografia; a seguir, a culpa era do despesismo não produtivo que remontava, num passado ainda não muito distante, à governação do Prof. Cavaco Silva; finalmente, atiraram-se à falta de liderança europeia que deixa países caírem, um a um, até os mercados chegarem, não às portas de Roma, que para eles já é cidade aberta, mas às portas de Brandeburgo. Dizem que aí a Alemanha vai tomar uma atitude.
Comentando apenas o passado e fazendo-o à luz do presente de hoje, porque amanhã já pode ser diferente, parece-me evidente que por falta de visão, por interesses pessoais, por mimetismo, por chantagem, por imposição, ou simplesmente porque era mais fácil, os governantes europeus hipnotizados por uma miragem de dinheiro fácil, crescimento continuando e imparável, se deixaram enredar numa teia tecida laboriosamente pelos mercados que ganharam dinheiro com dot.com's, com especulação imobiliária, com crédito a rodos a famílias, empresas e Estados, e que agora ganham mais dinheiro com dívidas soberanas, com o arrasamento do valor bolsista das empresas para puderem ser facilmente adquiridas. Os governantes viveram (fizeram-nos viver)pelas razões apontadas no logro de que a alavancagem das economias mais débeis da União Europeia era a solução para duas necessidades opostas: o escoamento de tecnologia e de excedentes de países ricos para países menos desenvolvidos prometendo-lhes que um dia chegariam a ricos. Mas, mesmo muito do dinheiro que os países ricos despejaram nos países mais pobres ou menos ricos, não lhes pertencia. Foram buscá-lo aos mercados a um juro mais baixo e emprestaram-no com um adicional de ganho. E o mal foi alguém ter dito, agora quero que me paguem, onde é que está o dinheiro real? (caso paridigmático é o sub-prime nos Estados-Unidos).
Este é o sistema em que nos enredámos. Este é O sistema. É muito difícil sair daqui e mais difícil é quando não se vê o rosto do suporte deste sistema: os mercados. Já ouvimos dizer que são pessoas. Mas, já alguém entrevistou alguma dessas pessoas para se saber o que pretendem (para além de ganhar dinheiro)? Que eu saiba, não. Os mercados são o mais antigo grupo de Anonymous que ocuparam a nossa vida.
Qualquer comentário sobre o futuro e sobre possíveis soluções pode falhar redondamente, e falhará por certo se continuarmos a utilizar os mesmos instrumentos de análise, por isso os comentadores e analistas que andaram (e que andem) armados em pitonísas são, também eles, fonte do problema. É, pois, caso para dizer: estamos todos a comentar acima das nossas possibilidades.
03 novembro 2011
Na Margem do Teu Segredo, Julieta Ferreira, Lua de Marfim
Na Margem do Teu Segredo, de Julieta Ferreira, é um romance sincopado de modo contínuo. São quatro personagens que ocupam o mesmo espaço cénico, o mesmo tempo, mas cada uma delas está como que irremediavelmente só nos capítulos que lhes competem...e na vida. O que confere continuidade aos episódios, não são, mesmo que existam, laços familiares, ou histórias comuns, mas a escrita de Julieta Ferreira que num registo muito semelhante para todas as personagens estabelece o fio condutor.
Um romance sobre o Destino, o Tempo e a Morte, diz o texto da contracapa. E da Solidão. O que ressalta é sobretudo o isolamento das personagens no mundo que as rodeia. Mundo que mesmo identificado com nomes de cidades ou de ruas podia ser um qualquer lugar. E o dissecar pormenorizado dos passos diários, dos sentimentos, das memórias, da descrição da envolvência,da atenção dada às pequenas coisas, mais isola as personagens.
Uma obra com uma escrita cuidada - em que a escolha da palavra certa requer isolamento - à qual Julieta Ferreira confere o tom de intimidade e a sensação que as personagens nos dão o braço e nos levam, placidamente, a percorrer um jardim numa tarde de sol de inverno enquanto nos contam a sua história, já sem mágoa, sem ressentimento. Apenas a história
Na Margem do Teu Segredo é também um romance contido. No sentido que se adivinha um grande fôlego da autora para um grande romance e que terá tido "medo" de arriscar. Mas, paradoxalmente, acaba por resultar bem porque as personagens são apertadas no pequeno espaço/tempo que Julieta Ferreira ...e a vida, lhes concedem.
Um romance sobre o Destino, o Tempo e a Morte, diz o texto da contracapa. E da Solidão. O que ressalta é sobretudo o isolamento das personagens no mundo que as rodeia. Mundo que mesmo identificado com nomes de cidades ou de ruas podia ser um qualquer lugar. E o dissecar pormenorizado dos passos diários, dos sentimentos, das memórias, da descrição da envolvência,da atenção dada às pequenas coisas, mais isola as personagens.
Uma obra com uma escrita cuidada - em que a escolha da palavra certa requer isolamento - à qual Julieta Ferreira confere o tom de intimidade e a sensação que as personagens nos dão o braço e nos levam, placidamente, a percorrer um jardim numa tarde de sol de inverno enquanto nos contam a sua história, já sem mágoa, sem ressentimento. Apenas a história
Na Margem do Teu Segredo é também um romance contido. No sentido que se adivinha um grande fôlego da autora para um grande romance e que terá tido "medo" de arriscar. Mas, paradoxalmente, acaba por resultar bem porque as personagens são apertadas no pequeno espaço/tempo que Julieta Ferreira ...e a vida, lhes concedem.
01 novembro 2011
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- Sete mil milhões de habitantes no planeta Terra: O número foi celebrado porque um nascimento é sempre um momento de felicidade. No entanto, o número é assustador e, considerando que passaram apenas doze anos para a população crescer mil milhões, não se vêem soluções morais e técnicas para que dentro de poucos anos habitem em condições decentes quatorze mil milhões de pessoas. E depois por aí acima.
- Renegociação do acordo com a troika: Entende-se a vontade de demonstrar urbe et orbi que Portugal é capaz de cumprir o acordo. O que não se entende é que os governantes, que deveriam transmitir uma mensagem de passos seguros (saiu-me), passem uma mensagem de completo desnorte: então agora já é possível renegociar? O que a pés juntos se afirmava não poder ser feito. Só se foi para justificar que há mais medidas de austeridade para além da troika.
- Cultura: É-me indiferente que a Cultura tenha estatuto de Ministério ou de Secretaria de Estado. Não serão os mais ou menos doze mil euros por ano da diferença de ordenado entre Ministro e Secretário de Estado que constituem poupança. É-me indiferente porque a única tarefa parece ser gastar menos dinheiro numa política de cultura gasta e ultrapassada. Nisso estou de acordo com o Secretário de Estado da Cultura. Mas, pergunta-se: qual é a parte da frase "Queremos saber qual é a política de Cultura do PSD/CDS" que o Governo ainda não percebeu?
-A frase da semana: "Álvaro ou saco de boxe", sub-título da opinião de Nicolau Santos, no Expresso. Nicolau Santos diz duas ou tres coisas em favor do ministro Álvaro Santos Pereira, nomeadamente que tomou posse de um super-ministério ingovernável. Temos pena, foi ele que se pôs a jeito. O Ministro da Economia e do EMPREGO, transformou-se num saco de boxe porque, sendo o Ministro mais importante deste governo ao tem de criar emprego em contra-ciclo, acomoda-se à ideia que, como uma vacina, é preciso deixar aumentar o desemprego para depois renascer das cinzas. O problema, Senhor Ministro, é que as cinzas são de corpos humanos incinerados na fogueira da crise e do desemprego.
-O livro da semana: Sermões, Padre António Vieira, recomendo a todos, para reflectirmos que apesar dos avanços éticos e morais, em quase quinhentos anos a índole da natureza humana permanece inalterada.
Os Sermões estão disponíveis na internet.
- Renegociação do acordo com a troika: Entende-se a vontade de demonstrar urbe et orbi que Portugal é capaz de cumprir o acordo. O que não se entende é que os governantes, que deveriam transmitir uma mensagem de passos seguros (saiu-me), passem uma mensagem de completo desnorte: então agora já é possível renegociar? O que a pés juntos se afirmava não poder ser feito. Só se foi para justificar que há mais medidas de austeridade para além da troika.
- Cultura: É-me indiferente que a Cultura tenha estatuto de Ministério ou de Secretaria de Estado. Não serão os mais ou menos doze mil euros por ano da diferença de ordenado entre Ministro e Secretário de Estado que constituem poupança. É-me indiferente porque a única tarefa parece ser gastar menos dinheiro numa política de cultura gasta e ultrapassada. Nisso estou de acordo com o Secretário de Estado da Cultura. Mas, pergunta-se: qual é a parte da frase "Queremos saber qual é a política de Cultura do PSD/CDS" que o Governo ainda não percebeu?
-A frase da semana: "Álvaro ou saco de boxe", sub-título da opinião de Nicolau Santos, no Expresso. Nicolau Santos diz duas ou tres coisas em favor do ministro Álvaro Santos Pereira, nomeadamente que tomou posse de um super-ministério ingovernável. Temos pena, foi ele que se pôs a jeito. O Ministro da Economia e do EMPREGO, transformou-se num saco de boxe porque, sendo o Ministro mais importante deste governo ao tem de criar emprego em contra-ciclo, acomoda-se à ideia que, como uma vacina, é preciso deixar aumentar o desemprego para depois renascer das cinzas. O problema, Senhor Ministro, é que as cinzas são de corpos humanos incinerados na fogueira da crise e do desemprego.
-O livro da semana: Sermões, Padre António Vieira, recomendo a todos, para reflectirmos que apesar dos avanços éticos e morais, em quase quinhentos anos a índole da natureza humana permanece inalterada.
Os Sermões estão disponíveis na internet.
31 outubro 2011
HUMOR MUITO NEGRO
HISTÓRIA I
Seria da chuva intensa que os olhos dos dois homens estavam aguados porque do interno as lágrimas escasseavam. O primeiro homem tinha-as perdido, as últimas, num emprego, em Setúbal, que desaparecera, assim, com estalar de dedos, de um momento para o outro. O segundo homem ainda tinha lágrimas, mas perdia-as em cada injecção de heroína.
Puxando a barba hirsuta, como que a espremê-la para a secar, o primeiro comentou:
- Esta noite, choveu comó caraças.
O segundo procurando uma pirisca húmida nos bolsos.
- Molhou-me a casa toda, ainda tenho de ver hoje se arranjo um cartão seco.
- É, agora fazem destas casas de material reciclável, mas são quentes no Verão e húmidas no Inverno.
Retornou o segundo:
- Sabes qual é o meu sonho? - enquanto limpava a agulha da seringa enferrujada a preparar a dose - era ter assim uma casa grande, onde eu me pudesse esticar à vontade, assim uma embalagem de um frigorífico amaricano.
Os olhos dos dois homens começaram a ficar baços, seria da neblina, ou talvez da fome.
(Escutada no Rossio)
HISTÓRIA II
Parei o carro à espera que o veículo saísse do separador central. Quando me preparava para arrumar, o moedinhas de jornal levantado corria rua acima a indicar-me que podia parquear no local que ele não ajudara a arranjar.
Sorriu-me com as gengivas descarnadas e a face do rosto chupada pela droga.
- Desculpe, senhor, não ajudar melhor a arrumar, mas estava ali em baixo a arrumar outro. E isto de andar todo dia, rua abaixo, rua acima, a levar com o fumo dos automóveis dá cabo da saúde.
(Na Rua Defensor de Chaves)
Seria da chuva intensa que os olhos dos dois homens estavam aguados porque do interno as lágrimas escasseavam. O primeiro homem tinha-as perdido, as últimas, num emprego, em Setúbal, que desaparecera, assim, com estalar de dedos, de um momento para o outro. O segundo homem ainda tinha lágrimas, mas perdia-as em cada injecção de heroína.
Puxando a barba hirsuta, como que a espremê-la para a secar, o primeiro comentou:
- Esta noite, choveu comó caraças.
O segundo procurando uma pirisca húmida nos bolsos.
- Molhou-me a casa toda, ainda tenho de ver hoje se arranjo um cartão seco.
- É, agora fazem destas casas de material reciclável, mas são quentes no Verão e húmidas no Inverno.
Retornou o segundo:
- Sabes qual é o meu sonho? - enquanto limpava a agulha da seringa enferrujada a preparar a dose - era ter assim uma casa grande, onde eu me pudesse esticar à vontade, assim uma embalagem de um frigorífico amaricano.
Os olhos dos dois homens começaram a ficar baços, seria da neblina, ou talvez da fome.
(Escutada no Rossio)
HISTÓRIA II
Parei o carro à espera que o veículo saísse do separador central. Quando me preparava para arrumar, o moedinhas de jornal levantado corria rua acima a indicar-me que podia parquear no local que ele não ajudara a arranjar.
Sorriu-me com as gengivas descarnadas e a face do rosto chupada pela droga.
- Desculpe, senhor, não ajudar melhor a arrumar, mas estava ali em baixo a arrumar outro. E isto de andar todo dia, rua abaixo, rua acima, a levar com o fumo dos automóveis dá cabo da saúde.
(Na Rua Defensor de Chaves)
26 outubro 2011
DE ONDE O NOME DE EUROPA.
EUROPA era filha do rei fenício Agénor e da sua mulher Telephassa. Zeus enamorou-se dela e disfarçado de touro branco e cornos dourados raptou-a. Europa inebriada deixou-se seduzir e acedeu a ser amante de Zeus e deste teve três filhos. Depois de satisfeito, Zeus abandonou-a, mas não sem lhe arranjar um marido legítimo. Europa viveu o resto dos seus dias em Creta, mas a família nunca mais soube do seu paradeiro.
Agénor, pai de coração destroçado, procurou-a por toda a parte, principalmente nas terras que hoje são designadas por Continente Europeu. E essas terras tomaram o nome de Europa porque Agénor percorreu estes caminhos sempre chamando pelo nome da filha sem a encontrar.
Desde domingo que para os lados de Bruxelas, ao fim de séculos, se ouve novamente chamar pela Europa. Hoje, no Conselho da Zona Euro,ou se desfaz o mito, ou o mais provável é que a Europa continue desaparecida. Sintomaticamente, em Creta, na Grécia.
Agénor, pai de coração destroçado, procurou-a por toda a parte, principalmente nas terras que hoje são designadas por Continente Europeu. E essas terras tomaram o nome de Europa porque Agénor percorreu estes caminhos sempre chamando pelo nome da filha sem a encontrar.
Desde domingo que para os lados de Bruxelas, ao fim de séculos, se ouve novamente chamar pela Europa. Hoje, no Conselho da Zona Euro,ou se desfaz o mito, ou o mais provável é que a Europa continue desaparecida. Sintomaticamente, em Creta, na Grécia.
25 outubro 2011
VISÃO DA ACTUALIDADE DA SEMANA
- A Cimeira Europeia: Como é que tanta gente inteligente e poderosa junta consegue não fazer nada, ou fazer tanta asneira? Qual é o mercado que acredita numa instituição que decide matérias que depois têm de ser aprovadas em "imprevisíveis" Parlamentos nacionais? Passou-se com a Finlândia, com a Eslovénia, e agora com a toda poderosa Alemanha. Qual o poder de intervenção do Parlamento Europeu, a única instituição para a qual votamos, na resolução da crise?
- Os Bancos: Ainda bem que a maior parte da população não sabe o que é isto da recapitalização da banca, da assumpção de perdas relativas à Grécia por parte dos bancos, caso contrário já tinha havido uma corrida aos depósitos e o sistema financeiro entraria em colapso. Seria a todos os títulos desejável que alguém credível explicasse exactamente o que se passa com os Bancos portugueses, quais os riscos, as soluções, os eventuais encargos para o Estado, o que significa para todos nós.
- Frase da Semana: O que é preciso é uma autoridade inteligente , da autoria do Secretário-Geral do Partido Socialista. E que tal uma política fiscal rubicunda? e um desenvolvimento económico aprazível? ou uma Segurança Social fixe? Embora a frase tivesse algumas explicações subsequentes, não é a austeridade que atemoriza, é o vazio da mesma que denota um imobilismo intelectual do PS na procura e apresentação de soluções inovadoras.
- Livro da Semana: O Estranho Caso de Benjamin Button, de Scott Fitzgerald, dedicado ao Ministro Álvaro Santos Pereira, porque Benjamin Button era um homem cujo corpo não correspondia à idade mental a qual se desenvolvia do fim para o princípio, o que levava a que um homem na terceira idade se entretivesse a brincar com comboios eléctricos.
- Os Bancos: Ainda bem que a maior parte da população não sabe o que é isto da recapitalização da banca, da assumpção de perdas relativas à Grécia por parte dos bancos, caso contrário já tinha havido uma corrida aos depósitos e o sistema financeiro entraria em colapso. Seria a todos os títulos desejável que alguém credível explicasse exactamente o que se passa com os Bancos portugueses, quais os riscos, as soluções, os eventuais encargos para o Estado, o que significa para todos nós.
- Frase da Semana: O que é preciso é uma autoridade inteligente , da autoria do Secretário-Geral do Partido Socialista. E que tal uma política fiscal rubicunda? e um desenvolvimento económico aprazível? ou uma Segurança Social fixe? Embora a frase tivesse algumas explicações subsequentes, não é a austeridade que atemoriza, é o vazio da mesma que denota um imobilismo intelectual do PS na procura e apresentação de soluções inovadoras.
- Livro da Semana: O Estranho Caso de Benjamin Button, de Scott Fitzgerald, dedicado ao Ministro Álvaro Santos Pereira, porque Benjamin Button era um homem cujo corpo não correspondia à idade mental a qual se desenvolvia do fim para o princípio, o que levava a que um homem na terceira idade se entretivesse a brincar com comboios eléctricos.
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